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De acordo com a informação fornecida pelo Ministério da Administração Interna (MAI) ao Observador, a empresa Alcampos Unipessoal Lda., detida pela mulher do ministro, recebeu 108 faturas emitidas por 13 empresas distintas entre 7 de fevereiro de 2024 e 26 de junho de 2026, num montante global de 23.118,19 euros.

Entre todas as empresas identificadas, a Construbarcelos Unipessoal Lda. é a que apresenta uma das maiores parcelas de faturação. Segundo a documentação consultada pelo Observador, a empresa emitiu duas faturas, ambas em fevereiro de 2025, no valor de 2.500 euros cada, totalizando 5.000 euros, o equivalente a cerca de 21,6% do total das despesas registadas.

O jornal recorda que estas obras decorrem numa propriedade onde, segundo informação anteriormente conhecida, não terá sido apresentada qualquer comunicação prévia ou pedido de licenciamento junto da Câmara Municipal de Odemira. Acrescenta ainda que continuam por divulgar os comprovativos de pagamento relativos a estas intervenções.

A lista de fornecedores inclui várias empresas sediadas em Odemira e noutras zonas do país. A sociedade Rodrigues & Nunes Lda. surge como a empresa com o menor valor faturado, apenas 87,66 euros, repartidos por duas faturas emitidas em maio de 2025.

Também fazem parte da relação a empresa de Simplício José Inácio, com duas faturas que totalizam 142,40 euros, a Mirafrota — Transportes, Máquinas e Materiais de Construção Lda., com uma única fatura de 147,35 euros, e a cadeia Leroy Merlin, através da BCM Bricolage SA, cuja única fatura ascende a 155,86 euros, sendo igualmente a mais antiga da lista, emitida em fevereiro de 2024.

Entre os restantes fornecedores encontram-se ainda a Ecocampo Comercialização de Produtos Para Agricultura e Pecuária Lda., com uma fatura de 777 euros, a Robert Mauser Lda., com seis faturas que somam 789,41 euros, a Manuel Maria José Lda., responsável por 15 faturas no valor global de 905,14 euros, e a Dos Santos & Conceição Cândido Lda., com 970,03 euros distribuídos por seis documentos.

Nas contas da Alcampos constam igualmente três faturas do IKEA, num total de 1.441,11 euros.

Entre os fornecedores com maior expressão financeira destacam-se a M. Rodrigues & Filhos, Limitada, que faturou 4.037,20 euros através de três faturas, e a Matonio Materiais Construção S. Teotónio Lda., responsável pelo maior número de documentos emitidos: 47 faturas, cerca de 44% do total, que representam 4.143,19 euros.

A empresa Os Gregos — Transportes e Móveis, Lda. surge igualmente entre as principais fornecedoras, com 19 faturas que totalizam 4.521,84 euros.

A origem da polémica está na contratação da Construbarcelos para executar obras de renovação na propriedade de São Teotónio. O caso ganhou dimensão pública devido ao facto de a empresa ter celebrado vários contratos de construção civil com a Polícia Judiciária entre 2019 e 2025.

Nas declarações públicas feitas nos últimos dias, Luís Neves tem sustentado que apenas conheceu o empreiteiro João Carvalho em 2024, na sequência de atrasos numa obra na Guarda, defendendo que a maioria das adjudicações da Polícia Judiciária à empresa ocorreu antes desse contacto. Quanto aos contratos posteriores, o ministro afirmou que corresponderam a extensões de adjudicações já existentes.

Relativamente aos pagamentos das obras na sua propriedade, Luís Neves afirmou que o registo das faturas no portal e-Fatura constitui um comprovativo de pagamento e declarou ainda que cerca de 90% das faturas relativas aos materiais de construção foram liquidadas por transferência bancária ou por multibanco.

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