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Os dados mais recentes divulgados oficialmente revelam que a obesidade atinge cerca de 28,7 % dos adultos em Portugal, e quando somados todos os casos de excesso de peso, mais de 67 % da população adulta está acima do peso considerado saudável. Entre as crianças dos 6 aos 8 anos, 31,9 % têm excesso de peso e 13,5 % estão em situação de obesidade, dados que acendem um sinal de alerta para o futuro da saúde pública.

Estes números, partilhados pelo Ministério da Saúde e pela Direção-Geral da Saúde (DGS) no Roteiro de Ação para Acelerar a Prevenção e Controlo da Obesidade em Portugal, espelham a dimensão transversal do problema: adultos, crianças, zonas urbanas e rurais, todos os segmentos da população são impactados.

Para discutir este fenómeno, ouvimos o endocrinologista e investigador Miguel Sousa, especialista em doenças metabólicas, que vê a obesidade como a "epidemia do século XXI".

"A obesidade não é uma questão de imagem, estética, é uma doença crónica multifatorial de saúde pública que altera profundamente o metabolismo, reduz a qualidade de vida e aumenta a mortalidade por várias causas associadas", afirma o especialista ao 24notícias, deixando claro "que pequenas ações isoladas não serão suficientes, é necessária uma abordagem integrada e sustentada".

No Centro de Saúde do Ramalhal, a médica de família Inês Ferreira diz que também vê todas as semanas pacientes com sobrepeso e obesidade. "Chegam muitas vezes quando já há doenças associadas, nomeadamente diabetes tipo 2, hipertensão, problemas articulares. A obesidade não aparece sozinha, ela agrava outras condições crónicas", diz ao 24notícias, referindo que a obesidade é habitualmente subdiagnosticada e até mal compreendida por muitos pacientes.

"Alguns ainda pensam que é apenas uma questão estética ou de força de vontade. Temos de mudar essa perceção, é uma doença complexa, que envolve genética, ambiente, stress, desigualdades sociais e comportamentos alimentares, entre outros fatores. Com toda a evidência científica que temos hoje, conseguimos prevenir e reduzir complicações, mas falta muita educação em saúde e acesso a serviços adequados, sobretudo fora dos grandes centros urbanos", salienta.

roteiro obesidade
roteiro obesidade créditos: governo

Números que impressionam

As estatísticas nacionais reforçam a dimensão do problema, perto de um em cada quatro adultos portugueses tem obesidade e se considerarmos pré-obesidade e obesidade em conjunto, os números sobem para cerca de dois terços da população adulta.

Entre as crianças dos seis aos oito anos, quase um terço apresenta excesso de peso, com 13,5 % em situação de obesidade, o que levanta preocupações acerca de hábitos alimentares, estilos de vida sedentários e riscos futuros de doenças crónicas na idade adulta.

Estudos internacionais também descrevem a obesidade como um fenómeno global em expansão, com mais de mil milhões de adultos obesos no mundo, um número que continua a subir se medidas eficazes não forem adotadas.

Perante estes números, o endocrinologista e investigador Miguel Sousa destaca pilares essenciais para combater a obesidade, começando pela prevenção desde cedo.

"A alimentação saudável e o incentivo à atividade física têm de começar na infância e na adolescência. Isso passa por programas nas escolas que priorizem refeições equilibradas, horários de atividade física obrigatórios e educação nutricional para famílias e cuidadores. É necessário também promover políticas que incentivem a amamentação exclusiva nos primeiros meses e o acompanhamento nutricional nos primeiros anos de vida também figura entre as ações prioritárias", referiu.

Outro passo são, de acordo com o especialistas, "ações governamentais efetivas". Neste âmbito, as autoridades de saúde portuguesas lançaram recentemente um Roteiro de Ação para Acelerar a Prevenção e o Controlo da Obesidade, com 10 medidas concretas a implementar até 2027, que incluem desde a promoção de ambientes alimentares mais saudáveis até ao reforço da prevenção e tratamento nos cuidados de saúde primários.

"Precisamos de políticas fiscais que desencorajem o consumo de produtos ultraprocessados, melhores rotulagens nutricionais, critérios nutricionais para compras públicas e apoio financeiro a iniciativas locais de promoção da saúde", referiu.

O combate à obesidade passa também por "transformar o ambiente em que vivemos". "Temos de promover ciclovias, parques e espaços públicos que incentivem a atividade física, campanhas de sensibilização contínuas e formação de profissionais de saúde para abordar a obesidade sem estigmas", conclui o especialista.

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