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O pH da água consumida diariamente tem um impacto reduzido na saúde da maioria das pessoas, uma vez que o organismo dispõe de mecanismos eficazes para manter o equilíbrio ácido-base, explica a nutricionista Joana Martins ao 24notícias.
Segundo a especialista, o pH corresponde a uma medida que avalia o grau de acidez ou alcalinidade de uma substância numa escala de 0 a 14. "Quando o pH é inferior a 7, a substância é considerada ácida; quando é igual a 7, é neutra; e quando é superior a 7, é alcalina. No caso da água, o pH pode variar naturalmente em função da sua origem, composição mineral e processo de tratamento".
Relativamente à água destinada ao consumo humano, Joana Martins refere que esta deve cumprir critérios de qualidade e segurança, sendo geralmente recomendado que apresente um pH entre 6,5 e 9,5. Ainda assim, sublinha que "para a população saudável, não existe evidência científica que permita afirmar que um determinado valor de pH dentro deste intervalo seja superior a outro em termos de benefícios para a saúde".
A nutricionista explica que pequenas diferenças no pH da água não provocam alterações de assinalar no corpo humano. "O organismo possui mecanismos muito eficazes para manter o equilíbrio ácido-base, pelo que pequenas diferenças no pH da água consumida não se traduzem em alterações significativas do pH sanguíneo ou do funcionamento normal do corpo".
"O organismo regula continuamente o equilíbrio ácido-base através da ação dos rins e dos pulmões, mantendo o pH sanguíneo dentro de uma faixa muito estreita. Em indivíduos saudáveis, este sistema é altamente eficiente e não é significativamente influenciado pelo consumo de água mais ácida ou mais alcalina", afirma ainda.
Quanto aos riscos associados ao consumo de águas com valores extremos de pH, Joana Martins destaca que as águas comercializadas legalmente cumprem normas rigorosas. "As águas comercializadas legalmente são seguras e cumprem parâmetros rigorosos de qualidade. No entanto, águas com valores extremos de pH podem alterar o sabor e, em algumas situações, causar desconforto gastrointestinal ou favorecer problemas relacionados com a corrosão das canalizações. Felizmente, estas situações são pouco frequentes no contexto do consumo habitual".
Mas há casos em que o pH é benéfico?
A especialista acrescenta que o pH da água tem uma influência mínima na digestão e na absorção de nutrientes. "Quando a água chega ao estômago, entra em contacto com o ácido gástrico, que possui uma acidez muito superior e neutraliza rapidamente eventuais diferenças de pH. Por esse motivo, não existem provas consistentes de que a água alcalina melhore a digestão ou aumente a absorção de nutrientes".
Embora o pH não represente uma preocupação relevante para a maioria da população, existem situações específicas que podem justificar acompanhamento individualizado. "Pessoas com determinadas patologias renais, metabólicas ou gastrointestinais poderão necessitar de recomendações individualizadas. Ainda assim, fatores como a composição mineral da água tendem a ter maior relevância clínica do que o próprio pH".
Sobre as alegações frequentemente associadas à água alcalina, Joana Martins considera que a evidência científica disponível continua a ser insuficiente. "Alguns estudos sugerem potenciais benefícios em contextos muito específicos, mas atualmente não existem dados robustos que permitam afirmar que a água alcalina previne doenças, promove a longevidade ou melhora significativamente o desempenho físico na população em geral".
Joana Martins conclui que o foco deve permanecer na hidratação. "Enquanto nutricionista, considero que a prioridade deve continuar a ser garantir uma hidratação adequada ao longo do dia. Mais importante do que o pH da água é assegurar uma ingestão hídrica suficiente, integrada num padrão alimentar equilibrado e num estilo de vida saudável".
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