Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt
A primeira fase dos exames nacionais de 2026 ficou marcada por atrasos na correção das provas, falhas técnicas na nova plataforma digital e incertezas para milhares de alunos e famílias. O Ministério da Educação garante que nenhum estudante será prejudicado no acesso ao ensino superior. Eis as principais perguntas e respostas sobre o caso.
O que aconteceu com os exames nacionais deste ano?
Pela primeira vez, a correção dos exames nacionais decorreu através de um sistema totalmente digital. Embora os alunos tenham continuado a responder em papel, as provas passaram a ser digitalizadas e disponibilizadas online para classificação pelos professores. Durante o processo surgiram várias dificuldades técnicas que provocaram atrasos na correção.
Quais foram os principais problemas identificados?
Professores e escolas relataram falhas na plataforma de classificação, dificuldades de acesso, problemas na digitalização das provas e atrasos na disponibilização dos exames para correção. Houve também relatos de respostas que não apareciam corretamente digitalizadas e de provas que demoravam a chegar aos classificadores.
Porque é que houve atrasos na divulgação das notas?
O calendário inicial previa o fim da classificação a 10 de julho e a divulgação das classificações a 14 de julho. Perante os problemas técnicos, o Ministério da Educação decidiu prolongar os prazos, permitindo que a correção decorresse até 14 de julho e adiando a afixação das pautas para 17 de julho.
Nos dias que antecederam a divulgação das notas, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, afirmou que mais de 99% das respostas já estavam classificadas, embora tenha admitido dificuldades relacionadas com a falta de classificadores em algumas disciplinas.
Os alunos podem ser prejudicados por estes atrasos?
Segundo o Ministério da Educação, não. Fernando Alexandre garantiu hoje várias vezes que nenhum aluno será prejudicado, quer nas classificações, quer no acesso ao ensino superior. O Governo assegura que foram tomadas medidas para acomodar os atrasos sem comprometer os direitos dos estudantes.
O acesso ao ensino superior está em risco?
O Governo afirma que não. Apesar das alterações no calendário dos exames, manteve-se a data de início do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior, que arrancou hoje, 20 de julho. O Ministério tem insistido que os atrasos não afetarão as candidaturas dos estudantes.
Já a Federação Académica de Lisboa manifestou-se preocupada com as “potenciais implicações”, pedindo garantias de equidade: “Importa garantir que todos os estudantes dispõem efetivamente das mesmas condições, da mesma informação e da mesma confiança no processo de candidatura ao Ensino Superior”, escrevem.
Houve alterações na segunda fase dos exames?
Em vez de começar a 16 de julho, arrancou a 20 de julho e prolonga-se até 24 de julho, permitindo acomodar os atrasos verificados na primeira fase.
Além disso, ministro anunciou ainda que os alunos que, devido às situações registadas, não disponham atempadamente de toda a informação necessária para decidir se realizam exames na segunda fase terão acesso a uma época especial, no início de setembro. Para esses estudantes, essa prova contará, para todos os efeitos, como segunda fase.
Esta solução poderá abranger, por exemplo, os alunos cuja classificação venha a ser alterada na sequência da correção de desconformidades nas digitalizações. Os detalhes desta época especial serão posteriormente divulgados, implicando também alterações no calendário da segunda fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, em articulação com o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos.
As matrículas escolares também foram afetadas?
Sim. O Ministério da Educação alterou o calendário das matrículas para alguns anos de escolaridade devido ao atraso na divulgação das classificações dos exames nacionais.
As inscrições para o 10.º e 12.º anos decorrem até 24 de julho, segundo o novo calendário.
Os alunos vão poder consultar as correções dos exames?
Sim. Uma das medidas anunciadas pelo ministro da Educação prevê que os alunos do ensino secundário possam consultar a correção das suas provas sem terem de solicitar formalmente a consulta do exame, o que aumenta a transparência do processo. Todavia, para reapreciação de nota continua a ser pago o valor habitual, 25€.
Houve contestação por parte das famílias?
Sim. O descontentamento levou à criação de uma petição que reuniu milhares de assinaturas de pais e encarregados de educação. Os subscritores defendiam que os alunos não podiam ser penalizados por problemas técnicos alheios ao seu desempenho escolar.
O que dizem os professores?
Vários professores classificadores manifestaram preocupação com as falhas da plataforma digital e com a pressão criada pelos prazos. As organizações representativas dos docentes pediram mais apoio técnico, maior transparência e uma avaliação rigorosa das causas dos problemas registados.
Qual a palavra final do Ministério da Educação sobre o tema?
Fernando Alexandre confirmou que será realizada uma auditoria externa ao processo de classificação digital, destinada a identificar detalhadamente as falhas e erros verificados, com o objetivo de garantir que, no próximo ano letivo, o processo decorra "com toda a normalidade e tranquilidade".
O governante defendeu que a digitalização das provas e a classificação em formato eletrónico constituem "um passo importante para a modernização do sistema educativo português", o que permite melhorar os processos de classificação e reforçar os mecanismos de monitorização da qualidade da avaliação externa.
___
A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil
Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.
Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.
Comentários