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De acordo com autoridades que tiveram acesso a um manifesto atribuído ao suspeito, Cole Tomas Allen, um professor de 31 anos da Califórnia, o ataque teria como alvo membros da administração norte-americana. No documento, o autor terá elaborado uma lista de alvos por ordem de prioridade, colocando responsáveis do governo no topo.

Segundo uma fonte citada pelo The Guardian, o manifesto divulgado pelo New York Post é autêntico. O suspeito terá ainda enviado textos a familiares cerca de dez minutos antes dos disparos, expondo queixas contra a administração. Um familiar, identificado como irmão, terá alertado as autoridades em New London, no estado do Connecticut.

O suspeito autodenominava-se “Assassino Federal Amigável”, designação que coincide com o conteúdo do manifesto. O documento começa com um pedido de desculpas a conhecidos e enumera as motivações do ataque, referindo que os alvos seriam membros da administração, com exceção do diretor do FBI, Kash Patel.

O texto indica ainda que agentes dos Serviços Secretos só seriam visados se necessário, enquanto forças como a polícia do Capitólio, a Guarda Nacional, funcionários do hotel e convidados não eram considerados alvos. Apesar de não mencionar diretamente Donald Trump, que denomina como "pedófilo, violador e traidor", o manifesto expressa indignação face a várias políticas da administração e acontecimentos recentes, incluindo operações militares norte-americanas.
“Sou um cidadão dos Estados Unidos da América. O que os meus representantes fazem reflete-se em mim”, lê-se no documento, que acusa ainda a liderança política de crimes graves e afirma: “Sinto raiva ao pensar em tudo o que esta administração fez.”

O suspeito terá viajado de comboio da Califórnia para Chicago e depois para Washington, onde se instalou no hotel dias antes do evento. Investigadores federais indicam que o homem terá adquirido legalmente várias armas, armazenadas na casa dos pais sem o seu conhecimento.

O lado de Trump e dos Republicanos

Menos de 24 horas após apelar aos norte-americanos para "resolver as nossas diferenças", Donald Trump afirmou, numa entrevista ao programa "60 Minutes", da CBS, que o “discurso de ódio dos democratas” é “muito perigoso”. Já o Comité Nacional Republicano, na voz de Joe Gruters, classificou o ataque como “resultado inevitável de uma esquerda radicalizada”.

Várias contas oficiais republicanas nas redes sociais apontaram o dedo a candidatos democratas, acusando-os de fomentar tensões políticas. Como é o caso de Graham Platner, devido a uma publicação na rede social Reddit (publicação eliminadaa referentes a 2018) onde escreveu que "a violência com armas de fogo era um meio necessário para alcançar a mudança social".

Algumas dessas acusações baseiam-se em declarações antigas ou entretanto retiradas, que os próprios visados já repudiaram.
A estratégia segue um padrão adotado após anteriores tentativas de ataque contra Trump em 2024, quando republicanos responsabilizaram os democratas por um alegado clima de hostilidade política. No entanto, não existem provas que liguem diretamente a retórica democrata a esses incidentes.

Do lado democrata, a reação foi de condenação generalizada da violência política. Líderes elogiaram a atuação dos Serviços Secretos e rejeitaram tentativas de atribuição de culpas. O líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, defendeu que “a violência nunca é a resposta”, independentemente da orientação política.

Democratas acusam os republicanos de instrumentalizar o ataque para ganhos políticos e apontam incoerências, lembrando episódios como o assalto ao Capitólio a 6 de janeiro de 2021 e declarações anteriores de figuras republicanas sobre violência política.

Apesar da troca de acusações, as autoridades federais sublinham que a investigação ainda decorre e que as motivações exatas do ataque permanecem por esclarecer.

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