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As sondagens indicam uma vantagem clara do opositor Péter Magyar e do seu partido de centro-direita Tisza, com cerca de 49%-50% das intenções de voto, contra aproximadamente 39% do Fidesz de Orbán. No entanto, essa vantagem não se traduz automaticamente em maioria parlamentar, devido à complexidade e particularidades do sistema eleitoral húngaro.
Os eleitores votam em dois boletins: um para escolher um candidato no seu círculo eleitoral (num total de 106 círculos uninominais) e outro para uma lista nacional de partido. O parlamento tem 199 lugares: 106 são atribuídos diretamente aos vencedores em cada círculo (quem tiver mais votos ganha), enquanto os restantes 93 são distribuídos proporcionalmente com base nas listas nacionais. Contudo, este cálculo é tudo menos simples, inclui não só os votos nas listas, mas também votos “desperdiçados” de candidatos derrotados nos círculos e até votos excedentários de candidatos vencedores, um mecanismo introduzido em 2011 que tende a favorecer o partido mais forte e introduz um efeito próximo de “o vencedor leva tudo”. Além disso, apenas partidos com pelo menos 5% dos votos entram nesta distribuição.
Outro fator que complica a leitura dos resultados é o desenho dos círculos eleitorais, que foi alterado ao longo dos anos e é frequentemente acusado de beneficiar o partido no poder. Isso significa que mesmo com menos votos totais, um partido pode conquistar mais mandatos.
A experiência de eleições anteriores reforça esta incerteza: em 2022, as sondagens apontavam para uma disputa equilibrada, mas o Fidesz acabou por obter cerca de 54% dos votos nas listas e uma maioria esmagadora de lugares (135 em 199), garantindo quase dois terços do parlamento.
A votação decorre entre as 6h e as 19h, sendo que quem estiver na fila à hora de fecho ainda pode votar. A contagem começa imediatamente depois, com resultados preliminares esperados a partir das 20h. No entanto, os resultados das listas nacionais podem oscilar durante a noite devido à complexidade dos cálculos, e os resultados finais podem demorar vários dias — até uma semana — a ser totalmente apurados.
O voto dos emigrantes pode voltar a ser decisivo. Os cidadãos húngaros a viver no estrangeiro podem votar por correio nas listas nacionais, e este voto tem favorecido fortemente Orbán: em eleições anteriores, mais de 90% destes votos foram para o Fidesz. Este ano, quase 500 mil pessoas registaram-se para votar por esta via, um número recorde, com muitos eleitores na Roménia e na Sérvia. Por outro lado, os cidadãos que vivem no estrangeiro mas mantêm residência na Hungria podem votar presencialmente em embaixadas ou consulados, um grupo que tende a apoiar mais a oposição.
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