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Mais de 20 mil milhões de euros, 21 componentes e milhares de projetos distribuídos pelo país. Ao fim de quase cinco anos, o Plano de Recuperação e Resiliência aproxima-se da sua fase final e começa a ser possível olhar para lá dos montantes investidos e perceber o que mudou na economia portuguesa.
Foi esse o ponto de partida do último episódio do podcast “Conversas com Boa Energia”. Os convidados foram Pedro Dominguinhos, presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR, e Miguel Pereira Gomes, diretor global de Tecnologia da Efacec, empresa que lidera a Agenda para a Transição Energética.
Ao longo dos últimos quatro anos, a Comissão Nacional de Acompanhamento percorreu cerca de 200 mil quilómetros para conhecer os projetos no terreno. Para Pedro Dominguinhos, esta proximidade permitiu perceber melhor as dificuldades de quem executa os investimentos e adaptar a forma como as entidades públicas acompanham os beneficiários.
“Precisamos mesmo de sair dos gabinetes e de conhecer o território”, defende o presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR.
Mais do que financiar, controlar e auditar, o responsável considera essencial ouvir as empresas, universidades, centros de investigação e restantes organizações que estão a transformar os projetos em resultados concretos.
A Agenda para a Transição Energética mostra a complexidade deste trabalho. Liderado pela Efacec, o consórcio reúne 77 entidades, entre grandes empresas, PME, startups e instituições científicas. Só a equipa responsável pela gestão e disseminação da agenda investiu 21 175 horas neste processo.
O projeto nasceu num momento particularmente difícil para a Efacec, mas Miguel Pereira Gomes recorda que existia uma oportunidade que o setor não podia desperdiçar.
“A primeira memória é esta: a dificuldade, mas também a lata e a ambição”, afirma o diretor global de Tecnologia da Efacec.
Essa ambição traduziu-se no desenvolvimento e renovação de produtos em áreas como os equipamentos de média tensão, os carregadores para veículos elétricos e as soluções digitais para a gestão de redes elétricas e de operadores de energias renováveis. Segundo Miguel Pereira Gomes, o apoio permitiu à Efacec dar um “salto quântico” no seu portefólio.
Mas o impacto não se resume aos novos produtos. A agenda criou novas relações entre empresas e centros de investigação, deu às PME acesso a conhecimento e redes internacionais e ajudou milhares de jovens investigadores a trabalhar em soluções orientadas para o mercado.
Para Pedro Dominguinhos, esse poderá ser um dos resultados mais duradouros do PRR.
“O PRR permitiu acelerar todo o ciclo de inovação e chegar mais rapidamente ao mercado”, sublinha.
Num contexto em que os próximos instrumentos europeus deverão exigir projetos de maior escala e consórcios capazes de competir internacionalmente, a experiência acumulada poderá tornar-se uma vantagem para Portugal. O desafio será garantir que os produtos, as competências e as redes de cooperação criadas continuam a produzir resultados depois do fim do financiamento.
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