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​​Entre os signatários da carta estão antigos deputados, autarcas, membros da Comissão Política, dirigentes nacionais e distritais, bem como o militar de Abril e fundador do partido Mário Tomé e o ex-deputado Pedro Soares.

Na carta, os subscritores afirmam que deixam de ser militantes por considerarem que "o nosso Bloco acabou", lamentando o fim de um projeto que, defendem, procurava unir diferentes setores da sociedade em torno de uma alternativa à hegemonia neoliberal.

Os ex-militantes acusam o partido de ter recuado na defesa de propostas relacionadas com o Serviço Nacional de Saúde, a habitação e a revogação de medidas laborais que vieram a integrar legislação aprovada posteriormente.

Criticam também a posição do Bloco perante conflitos laborais, considerando que o partido não foi suficientemente claro na oposição a medidas que afetaram greves e reivindicações sindicais.

Na carta, os signatários apontam ainda a perda sucessiva de eleitos como um sinal da diminuição da influência política e social do partido. Entre as críticas está também a estratégia de aproximação ao Partido Socialista, que, na sua perspetiva, substituiu uma linha política autónoma por uma aposta na participação governativa. Os antigos militantes consideram que essa opção conduziu ao afastamento do partido das suas posições iniciais e contribuiu para os maus resultados eleitorais.

Os subscritores acusam igualmente a direção de concentrar decisões num secretariado que consideram excessivamente centralizado e de afastar posições críticas no interior da organização. Na avaliação dos ex-militantes, a relação estabelecida com os governos liderados por António Costa e a atuação durante o período da chamada "geringonça" contribuíram para fragilizar politicamente o Bloco de Esquerda e abrir espaço ao crescimento da direita e da extrema-direita.

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