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Segundo o jornal espanhol El País, a descoberta de dois esqueletos adultos encontrados abraçados numa tumba do século XIII, junto à Catedral da Exaltação da Santa Cruz, em Opole, na região da Silésia, na Polónia, continua a levantar mais perguntas do que respostas.
Os restos mortais foram encontrados em 2023 durante escavações arqueológicas numa necrópole medieval. Embora não seja a primeira vez que são descobertos enterramentos de duas pessoas em posição de abraço, o caso de Opole revelou-se particularmente intrigante devido ao avançado estado de degradação dos esqueletos e à impossibilidade inicial de determinar o sexo dos indivíduos através dos métodos tradicionais.
Uma equipa de investigação liderada por cientistas da Universidade de Kiel, na Alemanha, e da Academia Polaca de Ciências recorreu a técnicas recentes de análise de ADN antigo para esclarecer a identidade dos dois indivíduos. Os resultados permitiram concluir que se tratava de duas mulheres adultas que não possuíam uma relação de parentesco próxima.
A investigadora Joanna Romeyer-Dherbey, actualmente na Universidade de Yale, explicou ao El País que a genética permite identificar relações biológicas ou a ausência delas, mesmo séculos depois da morte, mas não consegue revelar a natureza dos laços sociais ou emocionais entre as pessoas.
É precisamente essa a principal incógnita que permanece. A posição dos corpos sugere uma ligação significativa: uma das mulheres foi colocada com o braço direito por detrás da cabeça da outra, num gesto interpretado como um abraço. No entanto, as investigadoras alertam para o risco de projetar conceitos modernos sobre indivíduos medievais.
Entre as hipóteses consideradas estão uma amizade profunda, uma convivência próxima, a pertença à mesma comunidade religiosa, um parentesco não biológico ou outro vínculo social relevante que o registo arqueológico não permite identificar. A possibilidade de terem sido um casal não é excluída, mas os dados disponíveis não permitem sustentá-la com segurança.
As autoras do estudo defendem que o aspeto mais relevante desta descoberta é demonstrar que os laços sociais, para além dos familiares, poderiam ser suficientemente importantes para serem expressos nos rituais funerários da Idade Média.
A investigação procurou ainda interpretar o significado do enterramento à luz das crenças medievais sobre a morte. Segundo as autoras, o receio de que as almas permanecessem na Terra após a morte poderia justificar cuidados especiais no sepultamento de pessoas com relações muito próximas, evitando que fossem separadas no além.
Outro elemento analisado foi a localização da sepultura na necrópole. De acordo com o contexto histórico estudado pelos investigadores, os enterramentos situados junto às paredes dos templos eram normalmente reservados a pessoas de elevado estatuto social ou religioso. Este aspeto foi utilizado pelas autoras como um argumento contra a hipótese de uma relação homossexual, uma vez que consideram improvável que pessoas vistas como transgressoras dos princípios do cristianismo medieval recebessem um local de sepultamento tão privilegiado.
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