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É precisamente esse o ponto de partida do novo episódio do podcast “Top of Mind”, da Bial, onde a médica de família Margarida Santos conversa com a especialista em Imunoalergologia Marta Chambel, com experiência em asma pediátrica, para desmontar mitos e trazer clareza a uma das doenças crónicas mais frequentes na infância.

“Receber um diagnóstico de asma num filho pode ser assustador. Mas e se lhe disser que, na maioria dos casos, essa criança pode viver uma vida completamente normal?”, introduz Margarida Santos, no arranque do episódio. Logo na fase inicial da conversa, Marta Chambel define o essencial: a asma é “uma doença crónica inflamatória das vias respiratórias”, que pode manifestar-se de formas muito diferentes entre crianças.

E essa diferença é precisamente o que complica o diagnóstico e alimenta dúvidas nos pais. “Podem acontecer os dois”, explica a especialista, quando questionada sobre se uma crise de asma surge de repente ou se o corpo avisa. A resposta não é linear e isso faz toda a diferença na forma como a doença é entendida no dia a dia.

Apesar dos avanços, Marta Chambel é clara sobre o panorama atual: “Há muita coisa por fazer”. Em Portugal, o diagnóstico está mais frequente, mas isso não significa necessariamente que a doença esteja a aumentar — muitas vezes, está apenas a ser melhor reconhecida.

Um dos mitos mais persistentes entre pais é a ideia de que exames laboratoriais podem confirmar ou excluir a doença. Mas a realidade é outra.

“O diagnóstico é baseado na clínica”, sublinha Marta Chambel. Ou seja, são os sintomas, tosse seca persistente, pieira, falta de ar ou aperto no peito, que guiam a decisão médica.

Esta distinção é fundamental, sobretudo porque muitas crianças são avaliadas após episódios repetidos de infeções respiratórias, o que pode confundir o quadro clínico.

Muitas vezes a reação dos pais ao tratamento é um dos maiores entraves. “O maior medo dos pais é fazer as bombas”, admite a especialista, referindo-se aos inaladores. O receio centra-se sobretudo na ideia de que possam afetar o coração ou o crescimento da criança. Mas Marta Chambel é perentória na desconstrução desse mito: “É muito pior ter uma asma não controlada do que estar a fazer medicação”.

E acrescenta ainda um dos princípios mais importantes do controlo da doença: “É essencial”, diz, referindo-se à adesão consistente à terapêutica. Uma das mensagens mais repetidas ao longo do episódio é tranquilizadora: uma criança com asma pode, e deve, viver uma vida normal.

“Pode e deve fazer a vida normal”, afirma a especialista. Isso inclui brincar, correr e praticar desporto, sendo que a atividade física é até um indicador de controlo da doença.

O desafio, muitas vezes, não está na limitação física, mas na gestão do medo: “É mais difícil gerir o medo à volta dela”, reconhece Marta Chambel.

Escola, sintomas e sinais de alerta

A conversa estende-se ao papel da escola e dos educadores, muitas vezes fundamentais na identificação de sinais de descompensação.

A tosse seca surge como um dos sinais mais relevantes, ainda que frequentemente subestimado. “A tosse seca é mesmo importante”, alerta a especialista.

Também aqui o desafio é distinguir o que é uma virose comum do que pode ser asma não controlada, uma diferença que nem sempre é evidente para os pais.

Nos adolescentes, o quadro pode tornar-se ainda mais complexo. Sensações de aperto no peito, por exemplo, podem ser confundidas com ansiedade. A especialista reconhece a dificuldade: é necessário “excluir que a asma está controlada” antes de considerar outras causas.

Se há ideia que o episódio insiste em corrigir, é a de que a asma define a vida de uma criança. “A asma é uma doença crónica”, lembra Marta Chambel. Mas isso não significa limitação permanente. Na verdade, com tratamento adequado, a maioria das crianças consegue viver sem crises e com qualidade de vida. “É muito pior ter uma asma não controlada”, reforça, sublinhando que o objetivo da medicina não é apenas tratar sintomas, mas permitir uma vida plena.

No fecho do episódio, Margarida Santos sintetiza a mensagem central: “Ter asma não define a vida de uma criança nem de ninguém”. E talvez seja essa a ideia mais importante deixada por esta conversa — a de que o medo inicial pode dar lugar à confiança quando existe informação clara, acompanhamento médico e envolvimento familiar. “Quando há informação, confiança e apoio, há espaço para uma infância exatamente como deve ser: leve, ativa e feliz”, conclui a médica de família.

Para saber mais sobre temas relacionados com saúde, pode consultar a plataforma digital Bialive, desenvolvida pela Bial.

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