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Durante meses, parece apenas mais um mosquito. Mas uma simples picada pode, em determinadas circunstâncias, transmitir um vírus que tem vindo a ganhar espaço no sul da Europa. O vírus do Nilo Ocidental está a ser acompanhado pelas autoridades de saúde europeias, com casos confirmados em vários países, e os especialistas admitem que Portugal poderá registar uma maior circulação da doença.
O alerta não significa que esteja em causa uma nova pandemia. Mas significa que uma doença que durante muitos anos esteve mais concentrada noutras regiões do mundo pode tornar-se cada vez mais frequente na Europa.
"Estamos a assistir a uma expansão de vários vírus transmitidos por mosquitos porque existem condições ambientais mais favoráveis à sua circulação", explica ao 24notícias o virologista Rui Nobre, lembrando que "estes agentes dependem de um ciclo complexo entre mosquitos, animais e ambiente".
Afinal, o que é o vírus do Nilo Ocidental?
O vírus do Nilo Ocidental pertence à família dos flavivírus, o mesmo grupo onde se incluem outros vírus transmitidos por mosquitos, como o dengue ou o Zika.
O seu ciclo natural acontece sobretudo entre aves e mosquitos. As aves funcionam como reservatório do vírus e os mosquitos, ao picarem animais infetados, podem depois transmitir a infeção a humanos ou cavalos.
As pessoas não apanham o vírus por contacto com outras pessoas. Uma pessoa infetada não transmite a doença através de um abraço, de uma tosse ou da convivência diária.
"A chegada do vírus a novas regiões europeias está muito ligada às alterações ambientais e climáticas"Rui Nobre, virologista
WÉ importante separar este vírus dos vírus respiratórios. Aqui o principal problema é o vetor, o mosquito", explica Rui Nobre.
Na maioria dos casos, a infeção passa despercebida. Muitas pessoas não desenvolvem qualquer sintoma. Quando surgem sinais, podem ser confundidos com uma gripe comum, onde se observa febre, dores no corpo, cansaço, dores de cabeça ou mal-estar geral.
Em situações menos frequentes, sobretudo em pessoas mais idosas ou com sistemas imunitários fragilizados, a doença pode evoluir para formas graves, como encefalite ou meningite, afetando o sistema nervoso.
Europa soma dezenas de casos e acompanha evolução do vírus
A circulação do vírus tem sido identificada sobretudo nos países do sul e sudeste europeu, onde as temperaturas elevadas favorecem a atividade dos mosquitos.
Itália, Grécia, Roménia, Espanha, França e Macedónia do Norte estão entre os países onde já foram detetados casos humanos adquiridos localmente durante a época de transmissão de 2026.
O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) tem acompanhado semanalmente a evolução da situação e alerta para a possibilidade de novos focos durante o período de maior atividade dos mosquitos, normalmente entre julho e setembro.
A expansão do vírus está associada a vários fatores: aumento das temperaturas médias, períodos mais longos de calor, presença de água parada e maior circulação de mosquitos capazes de transportar o vírus.
"Portugal tem condições que podem permitir a circulação do vírus, mas isso não significa que estejamos perante uma ameaça de grandes dimensões para a população"
Já Portugal reúne algumas das condições que podem facilitar a circulação do vírus, com verões quentes, zonas húmidas, áreas agrícolas com água acumulada e presença de espécies de mosquitos compatíveis com a transmissão.
O país já identificou anteriormente circulação do vírus em animais, incluindo cavalos, e foram registados casos humanos esporádicos.
Para Rui Nobre, o desafio passa sobretudo pela vigilância. "Não estamos perante um cenário de pandemia, mas perante uma doença que pode tornar-se mais comum se as condições ambientais continuarem a favorecer os mosquitos", explica.
A possibilidade de surgirem casos em Portugal não significa que toda a população esteja em risco elevado. "O cenário mais provável é o aparecimento de casos isolados ou pequenos surtos localizados, especialmente em zonas onde existam mais mosquitos", diz.
Ao contrário do que acontece com algumas doenças virais, não existe atualmente uma vacina disponível para proteger a população contra o vírus do Nilo Ocidental.
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