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O prazo chegou ao fim esta segunda-feira. O "Memorando de Entendimento" que pretendia pôr fim aos combates entre os Estados Unidos e o Irão expirou sem sinais claros de que algum dos lados esteja disposto a prolongá-lo. E, ao longo das últimas semanas, Washington e Teerão têm-se acusado mutuamente de violar o acordo.
O entendimento tinha sido alcançado em junho, mas desde cedo ficou envolto em divergências. As versões norte-americana e iraniana do documento apresentavam algumas diferenças e, mais importante ainda, os dois países não concordavam sequer sobre a natureza do compromisso: tratava-se de um cessar-fogo ou de um acordo destinado a pôr fim à guerra?
A dúvida não demorou a transformar-se em acusações. A 27 de junho, Donald Trump classificou os ataques iranianos na região como uma “violação insensata” do acordo, de acordo com a Al Jazeera. O Irão respondeu que os ataques norte-americanos violavam o primeiro artigo do Memorando de Entendimento.
A 7 de julho, Trump declarou que o acordo estava “terminado”. Os Estados Unidos continuaram então a atacar o Irão, incluindo infraestruturas que Teerão identificou como civis, provocando pelo menos 50 mortos. Do lado iraniano, as autoridades afirmaram que Washington tinha “violado e suspenso” os seus compromissos e que Teerão tinha feito o mesmo.
Desde então, pouco mudou no terreno. Os Estados Unidos não levantaram totalmente as sanções contra o Irão e Trump rejeitou a possibilidade de Washington pagar pela reconstrução do país. Em vez disso, defendeu que Teerão deveria compensar famílias de manifestantes mortos e pessoas mortas ou gravemente feridas em conflitos anteriores.
Também o Estreito de Ormuz continua no centro da disputa. A reabertura da importante passagem marítima não se concretizou e tanto os Estados Unidos como o Irão continuam a afirmar que controlam o estreito. Esta semana, o Pentágono confirmou ter disparado contra um navio de carga com bandeira do Panamá, alegando que tinha violado o bloqueio norte-americano ao Irão.
Enquanto isso, Teerão mantém contactos através de mediadores do Qatar e do Paquistão. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou no sábado que o Irão ainda não tinha decidido retomar as negociações com os Estados Unidos. Disse também que o país estava a trabalhar com Omã num acordo separado para definir novas rotas de navegação no Estreito de Ormuz, mas deixou claro que isso dependeria de uma solução política.
Do lado norte-americano, Trump voltou a colocar o estreito no centro do discurso. Na sexta-feira, perante apoiantes em Nova Iorque, afirmou que os Estados Unidos iriam em breve reivindicar para si a passagem marítima estratégica.
E, apesar de o prazo do Memorando de Entendimento ter terminado, nem sequer há consenso sobre o que isso significa. Araghchi afirmou na sexta-feira que o documento previa “o fim da guerra, não um cessar-fogo”. Na sua leitura, como os Estados Unidos violaram o acordo e continuaram os ataques, não existia um cessar-fogo de 60 dias que tivesse de ser prolongado.
Em Teerão, os sinais apontam ainda para uma posição mais dura nas próximas negociações. No início do mês, Mohsen Rezaei, antigo comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, foi nomeado para liderar o Conselho Supremo de Segurança Nacional, o principal órgão de segurança do país. A mudança é apresentada como uma forma de aproximar a coordenação entre as operações militares e civis.
Para já, não há uma nova mesa de negociações marcada. O acordo que deveria abrir caminho ao fim da guerra expirou mas, a guerra continua.
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