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O trabalho, desenvolvido no âmbito do Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia (CiBB), baseia-se na criação de uma nova plataforma tecnológica, designada REPROcode, que permite mapear e reprogramar células imunitárias de forma sistemática. A plataforma assenta numa biblioteca com mais de 400 factores de transcrição, proteínas capazes de alterar a identidade celular, identificados através de "códigos de barras", o que possibilita rastrear quais são responsáveis pela reprogramação de diferentes tipos de células do sistema imunitário.
De acordo com Carlos-Filipe Pereira, investigador do CNC-UC e coordenador do estudo, a ferramenta permite testar simultaneamente dezenas de combinações de factores de transcrição, acelerando a identificação dos conjuntos que permitem gerar tipos específicos de células imunitárias. "Esta abordagem torna possível obter, em laboratório, células que até agora eram extremamente difíceis de produzir", explica.
Além de permitir a geração de células NK, a investigação identificou também factores que melhoram a reprogramação de tipos celulares cuja combinação já era parcialmente conhecida. Estes resultados abrem caminho ao aperfeiçoamento de terapias celulares existentes e ao desenvolvimento de novas abordagens em imunoterapia, uma área considerada uma das mais promissoras no tratamento do cancro.
Atualmente, embora a imunoterapia tenha revolucionado o tratamento de várias doenças oncológicas, uma parte significativa dos tumores e dos doentes não responde a este tipo de tratamento. Muitas das células imunitárias com potencial terapêutico são raras no sangue e difíceis de isolar directamente dos pacientes, o que torna essencial o desenvolvimento de métodos eficientes para a sua produção em laboratório.
No âmbito do estudo, os investigadores construíram ainda um "mapa-guia" dos factores que controlam a formação das diferentes linhagens de células imunitárias. Através da reprogramação celular, uma célula pode ser convertida noutro tipo completamente distinto, mas a maioria das combinações de factores de transcrição responsáveis por esse processo continua por identificar. O mapa agora desenvolvido constitui, por isso, um contributo relevante para o avanço do conhecimento nesta área.
Segundo Carlos-Filipe Pereira, a nova abordagem funciona como uma verdadeira "caixa de ferramentas", permitindo gerar células imunitárias a partir de células mais fáceis de recolher e replicar, como as da pele. Esta estratégia poderá reduzir o risco de ineficácia da imunoterapia em determinados doentes e acelerar o desenvolvimento de tratamentos personalizados, não só para o cancro, mas também para outras patologias do sistema imunitário.
O investigador sublinha ainda que, no futuro, a tecnologia poderá ser utilizada não apenas para activar o sistema imunitário contra tumores, mas também para o ensinar a não atacar o próprio organismo, abrindo novas possibilidades terapêuticas para doenças autoimunes como a diabetes ou a artrite reumatóide.
O estudo contou com a participação de investigadores de várias instituições europeias, incluindo o Lund Stem Cell Center, o Wallenberg Centre for Molecular Medicine, o National Bioinformatics Infrastructure Sweden, o Helmholtz Zentrum München e a empresa biotecnológica Asgard Therapeutics.
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