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"O principal objetivo é informar as pessoas sobre os comboios de bicicleta como alternativa saudável e sustentável para a deslocação das crianças e jovens para a escola, e demonstrar que esta opção é possível e muito viável quando existe apoio das câmaras municipais", explica a associação ao 24notícias. A MUBi sublinha que esta realidade já existe "há vários anos em Lisboa" e que pode ser replicada noutras cidades.
A curto prazo, a expectativa é clara. "Esperamos que mais encarregados de educação e associações de pais ponderem concretizar iniciativas semelhantes" e que estas comunidades "contactem o executivo municipal no sentido de assegurar apoio institucional".
Entre os principais entraves identificados está a escassez de infraestruturas básicas. "Junto das escolas, a ausência de estacionamento para bicicletas dentro ou perto das mesmas é, por vezes, uma dificuldade", refere a MUBi. Do lado das famílias, o desafio é garantir acompanhamento regular. "Em experiências autogeridas, como a do grupo de pais e mães do Colégio Alemão do Porto, um entrave é o facto de a agenda dos adultos se alterar de um dia para o outro", dizem.
Por esse motivo, a associação considera que o papel da autarquia é decisivo. "O apoio do município é fundamental, pois permitiria contratar acompanhantes dos comboios de bicicleta, garantindo que não haveria falhas", defende.
Após contactos sem sucesso com o anterior executivo, o diálogo com a Câmara Municipal do Porto avançou recentemente. "Foi marcada uma reunião com o vereador Hugo Beirão para apresentar o comboio de bicicleta do Colégio Alemão e propor o início de um projeto-piloto com várias escolas", adiantam os promotores.
Segurança em grupo e direito à cidade
A MUBi apoia-se também em evidência científica internacional. Estudos apontam que os Bike Buses começaram por ser uma resposta ao perigo do tráfego automóvel, mas evoluíram para algo maior. "Uma celebração do andar de bicicleta e uma forma de exigir cidades mais amigas das crianças", apontam.
"Circular em grupo cria um efeito de segurança em números, torna os ciclistas mais visíveis e dá-lhes legitimidade coletiva para usar a estrada", explica a associação, acrescentando que as motivações vão "do prazer de pedalar com amigos e família ao exercício físico e à redução do tráfego e da poluição junto às escolas".
Mesmo em cidades com fraca infraestrutura ciclável, o grupo oferece proteção acrescida. "Os adultos criam uma ‘caixa’, colocando-se à frente, atrás e do lado do tráfego, o que protege especialmente as crianças", descrevem.
Rotas seguras como política pública
Para que estas iniciativas deixem de ser pontuais, a MUBi defende mudanças estruturais. "A redução da velocidade para 30 km/h nas localidades é uma prioridade, desde que acompanhada por medidas físicas de acalmia de tráfego e fiscalização eficaz", afirma.
A associação defende ainda que os municípios devem envolver ativamente as comunidades escolares. "Os executivos municipais deveriam acolher e incentivar a participação das escolas e das famílias na identificação de mudanças úteis nas vizinhanças e nos trajetos mais usados", salientam.
No horizonte está um objetivo ambicioso, mas claro. "O ideal é criarmos uma cidade onde até uma criança de cinco anos possa pedalar em segurança, e onde os comboios de bicicleta deixem de ser necessários". Até lá, sublinham, estes comboios são "um primeiro e importante passo para devolver autonomia, liberdade e espaço público às crianças".
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