O teste foi desenvolvido pela empresa austríaca Wholomics e os resultados foram apresentados na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago. O estudo envolveu cerca de 1.400 participantes, avança o The Observer.

Apesar dos resultados encorajadores, os especialistas sublinham que os dados devem ser interpretados com prudência. O estudo ainda não foi submetido ao processo de revisão por pares e não existem, para já, evidências de que a utilização do teste permita aumentar a sobrevivência dos doentes.

Um dos projetos mais mediáticos da área, o teste Galleri, enfrentou recentemente um revés. O Galleri procura identificar mais de 50 tipos de cancro através da deteção de fragmentos de ADN libertados pelos tumores para a corrente sanguínea. Nos últimos três anos, mais de 142 mil utentes do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS), com idades entre os 50 e os 79 anos e sem sintomas, participaram num ensaio clínico anual.

Os resultados revelaram que o teste não conseguiu demonstrar uma redução significativa na incidência de 12 tipos principais de cancro diagnosticados em fases avançadas, que constituía o principal objetivo do estudo. Ainda assim, os investigadores verificaram uma redução de 14% nos casos diagnosticados em estado IV, o mais avançado da doença, especialmente em cancros como o do pâncreas e do esófago.

Os especialistas mantêm, contudo, o interesse no potencial destes exames. A deteção precoce continua a ser considerada uma das formas mais eficazes de aumentar as probabilidades de sucesso dos tratamentos e reduzir a necessidade de terapias mais agressivas.

Paralelamente, investigadores britânicos divulgaram os resultados do estudo Optima, centrado em doentes com cancro da mama. A investigação concluiu que algumas mulheres poderão evitar tratamentos de quimioterapia após a remoção cirúrgica do tumor.

O estudo avaliou o teste genómico Prosigna, que analisa características genéticas de amostras de tecido mamário. Os resultados indicam que mulheres com determinados tipos de tumores, nomeadamente aqueles que apresentam recetores de estrogénio e níveis elevados da proteína HER2, podem obter taxas de sobrevivência semelhantes sem recorrer à quimioterapia.

Ao fim de cinco anos, a taxa de sobrevivência foi de 94,9% entre as doentes submetidas a quimioterapia e de 93,7% entre aquelas que não receberam o tratamento. Especialistas consideram que estes resultados representam mais um passo em direção a uma medicina mais personalizada, na qual as decisões terapêuticas são cada vez mais adaptadas às características específicas de cada tumor e de cada doente.

Apesar dos avanços, os investigadores reconhecem que a validação de novos testes de deteção precoce continua a exigir estudos de grande dimensão e acompanhamento durante vários anos. Alguns especialistas defendem mesmo a necessidade de desenvolver métodos que permitam comparar diferentes testes de forma mais rápida e eficaz, acelerando a sua eventual integração nos sistemas de saúde.

Para já, os resultados apresentados reforçam o potencial da deteção precoce e da medicina personalizada no combate ao cancro, mas deixam claro que serão necessários mais estudos antes de qualquer aplicação generalizada destas tecnologias.

___

A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil

Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.

Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.