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O novo sistema, Entry Exit System (EES), obriga os cidadãos de países fora da UE a registar as impressões digitais e uma fotografia sempre que entram num dos 29 países do espaço Schengen, sendo essa informação depois verificada à saída. O processo é feito através de máquinas automáticas, conhecidas como "quiosques", ou por agentes de fronteira no caso de crianças com menos de 12 anos, e tem vindo a ser implementado progressivamente desde outubro.

Em vários aeroportos europeus já se registaram filas de várias horas, havendo mesmo relatos de passageiros que perderam o voo de regresso. Esta semana, a Ryanair afirmou que "o falhado lançamento do EES" está a causar atrasos desnecessários e longas filas, aconselhando os passageiros britânicos a reservarem tempo extra para a viagem e a prepararem-se para esperas prolongadas no controlo de passaportes.

Em Roma, destino muito procurado por turistas do Reino Unido e de todo o mundo, praticamente todas as pessoas contactadas pela BBC na Piazza di Spagna tinham uma história para contar sobre o EES: uma família de Yorkshire esperou duas horas para passar o controlo com crianças pequenas; um casal vindo dos Estados Unidos demorou cerca de uma hora e acabou por perder o motorista que os esperava; outro grupo, que tinha desembarcado em Barcelona antes de seguir para um cruzeiro até Roma, relatou esperas de 45 a 50 minutos devido a máquinas avariadas, com uma das pessoas a dizer que a fila demorou quase tanto tempo quanto o próprio voo.

O aeroporto de Fiumicino, em Roma, considerou pouco prático recorrer a grandes volumes de passageiros nos quiosques de autoatendimento, apesar do investimento de 12 milhões de euros nessas máquinas. Atualmente, os cidadãos britânicos já podem registar as impressões digitais e a fotografia diretamente nos e-gates, em vez de terem de usar as máquinas independentes, ainda que crianças com menos de 12 anos continuem obrigadas a passar por um agente de fronteira. Ivan Bassato, responsável de aviação do aeroporto, afirmou ao meio britânico que essa integração "melhorou significativamente" o processo, mas reconheceu que a complexidade do sistema fez subir o tempo médio de passagem dos britânicos de sete para vinte minutos, admitindo que ainda não se atingiu a mesma qualidade de processo que existia antes do EES. Bassato disse ainda que o aeroporto se orgulha da sua aposta tecnológica, pelo que esperas de uma ou duas horas são "absolutamente inaceitáveis", defendendo que é urgente corrigir certos aspetos do sistema, eliminar duplicações no processo e alargar a mais países a aplicação de pré-registo da UE, atualmente usada apenas pela Suécia e por Portugal. Os países envolvidos podem suspender o EES em circunstâncias excecionais, mas um pedido dos aeroportos e companhias aéreas para poderem suspender o processo de forma preventiva antes de períodos de maior afluência não resultou em qualquer alteração numa reunião realizada este mês.

Em Portugal, as queixas dos atrasos e as imagens das filas nos aeroportos têm-se avolumado e as queixas à BBC refletem essa realidade. O superintendente Pedro Oliveira, responsável pelo controlo fronteiriço no aeroporto de Faro, disse  que "por vezes, o que costumava ser uma fila de 10 minutos, passa a demorar mais de 30". Segundo explicou, o elevado número de passageiros britânicos torna alguma fila expectável, mas garantiu que as pessoas "não devem recear", pois o processo costuma fluir rapidamente. Esperas superiores a uma hora seriam muito raras em Faro, ainda que possam acontecer se chegarem mais aviões do que o previsto ao mesmo tempo, sendo as máquinas automáticas geralmente a forma mais rápida de atravessar a fronteira. O responsável admitiu ainda que o novo sistema informático da UE tem sofrido falhas técnicas, uma vez que o EES torna os países muito dependentes da tecnologia, havendo servidores interligados entre si, o que significa que um problema em Varsóvia pode afetar o sistema em Portugal, e, por vezes, ocorrem falhas simultâneas em todos os Estados-membros, sendo necessários alguns minutos para reiniciar tudo.

Ainda assim, garantiu que estes incidentes têm vindo a acontecer com menos frequência. Entretanto, foram recrutados mais agentes de fronteira para reforçar o processo, e em Portugal as crianças com menos de 16 anos continuam a ser encaminhadas para um agente da polícia de fronteiras, em vez de terem de utilizar as máquinas automáticas.

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