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Péter Magyar defendeu uma política externa “pragmática” nas relações com a Rússia, rejeitou uma adesão acelerada da Ucrânia à União Europeia e criticou a gestão europeia da migração, numa longa conferência de imprensa onde procurou também marcar uma rutura com o estilo do anterior governo.

Um dia após as eleições, Péter Magyar prolongou a conferência de imprensa por mais de uma hora, insistindo em responder ao maior número possível de perguntas, tal como refere o The Guardian, numa tentativa de se distanciar da prática do executivo de Viktor Orbán, frequentemente acusado de privilegiar apenas órgãos de comunicação próximos.

No plano internacional, o primeiro-ministro defendeu que a Hungria deve manter uma posição equilibrada, sublinhando que “não pode mudar a geografia” no que toca à energia e continuará dependente, em parte, da Rússia. Ainda assim, apontou para a necessidade de diversificar fontes.

Péter Magyar admitiu que, caso a guerra na Ucrânia termine, poderá haver espaço para rever as sanções europeias a Moscovo, argumentando que a compra de matérias-primas a preços elevados prejudica a competitividade europeia. “Compreendo as questões morais, mas não devemos dar tiros no pé”, afirmou.

Apesar disso, classificou a Rússia como um “risco de segurança” para a Europa e garantiu que diria ao presidente russo para pôr fim à guerra, ainda que admita não esperar ser ouvido. O líder húngaro procurou assim equilibrar uma abordagem pragmática com o reconhecimento das ameaças estratégicas.

Sobre a Ucrânia, apoiou o pacote financeiro europeu acordado em dezembro, que inclui uma cláusula de exclusão para a Hungria, justificando a posição com as dificuldades económicas do país. Criticou ainda a política económica do anterior governo e defendeu a necessidade de desbloquear fundos europeus, que considera essenciais para a recuperação.

Já quanto à adesão de Kyiv à União Europeia, mostrou-se claramente contra um processo acelerado. “Seria impossível um país em guerra aderir à UE”, disse, defendendo que todos os candidatos devem seguir os mesmos critérios e admitindo mesmo a realização de um referendo na Hungria. Segundo afirmou, esse cenário não deverá colocar-se “na próxima década”.

No campo europeu, Magyar rejeitou a ideia de uma maior federalização da União, defendendo antes uma Europa de Estados soberanos. Criticou também a resposta europeia à crise migratória, considerando que o problema foi “mal gerido” e que deveria ter sido tratado nos países de origem.

O chefe de Governo apontou ainda para um excesso de regulação em Bruxelas, defendendo uma abordagem mais contida: “Menos pode ser mais”, afirmou, apelando ao respeito pelas diferenças entre Estados-membros.

Apesar das críticas, reafirmou o compromisso com o projeto europeu e admitiu mesmo a possibilidade de a Hungria aderir à zona euro no futuro, embora sem calendário definido. Indicou também que pretende discutir o desbloqueio de fundos europeus com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Nas relações bilaterais, destacou a importância da cooperação regional e anunciou a intenção de realizar a sua primeira visita oficial a Varsóvia, elogiando a parceria com a Polónia. Num tom mais descontraído, comentou ainda a presença de antigos responsáveis polacos em Budapeste, sugerindo que “não se sintam demasiado confortáveis”.

Magyar surpreendeu também ao manifestar o desejo de ver o Reino Unido regressar à União Europeia, recordando o período em que trabalhou em Bruxelas enquanto diplomata.

Ao longo da conferência, Magyar procurou afirmar um estilo político mais próximo dos cidadãos e menos dependente da comunicação institucional, insistindo que “a política é sobre pessoas”, uma mensagem que, disse, tem faltado em vários países europeus, onde identifica uma crescente crise de confiança nos sistemas políticos tradicionais.

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