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O lago surgiu na sequência do colapso de um glaciar que provocou as inundações de quarta-feira no Nepal e que já causaram 469 mortos, segundo o mais recente balanço das autoridades nepalesas.
As autoridades pediram às equipas de segurança e resgate e à população que permaneçam em alerta, procurem abrigo imediatamente e comuniquem qualquer incidente.
Do lado chinês, parte das operações de resgate no Tibete foi temporariamente suspensa devido ao aumento do risco. Várias equipas de emergência concentraram-se junto à entrada da localidade de Laojiang, a cerca de sete quilómetros da passagem fronteiriça de Gyirong, onde aguardam novas instruções.
O lago formou-se depois de uma acumulação de lama e rochas ter bloqueado um curso de água na sequência da catástrofe. Situa-se a mais de dez quilómetros da passagem fronteiriça e, segundo a televisão estatal chinesa CCTV, já começou a transbordar.
Dados divulgados pela imprensa chinesa indicam que o volume de água retida ultrapassa os dois milhões de metros cúbicos. A acumulação encontra-se a cerca de 2.950 metros de altitude, quase mil metros acima da passagem de Gyirong, levando as autoridades a alertar que uma descarga repentina poderá provocar novas inundações ou deslizamentos de lama a jusante.
O risco levou à interrupção das operações de resgate, enquanto as equipas acompanham a evolução do lago. A formação da acumulação de água já tinha levado, na quinta-feira, à retirada preventiva de habitantes de localidades próximas.
A passagem de Gyirong, uma das ligações terrestres entre o Nepal e o Tibete, ficou praticamente destruída e coberta de lama e escombros. Imagens de videovigilância divulgadas nas redes sociais mostram também graves danos nos acessos, nas comunicações e noutras infraestruturas.
As investigações apontam para o colapso de uma grande massa de gelo num glaciar nepalês, situado entre os 5.200 e os 5.500 metros de altitude. O desabamento terá arrastado rochas e outros materiais, formando uma avalanche de lama que atingiu o posto fronteiriço.
Na China, as autoridades mantêm o balanço de três mortos e 558 desaparecidos em Gyirong, entre os quais 260 estrangeiros. O Ministério dos Negócios Estrangeiros português indicou, por sua vez, que há três cidadãos portugueses desaparecidos no Nepal e no Tibete, um homem e duas mulheres.
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