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A pequena república insular do Pacífico, com cerca de 12 mil habitantes, passou oficialmente de “Nauru” para “Naoero”. A alteração significa também que o código internacional do país passará de NRU para NRO e que os seus habitantes serão designados como dei-Naoero, explica a Associated Press (AP).

“Naoero”, pronunciado “Now-ero”, é o termo utilizado pelos habitantes de Nauru na sua própria língua. Segundo o Governo, o nome “Nauru” tornou-se a designação oficial porque o nome indígena “não podia ser corretamente pronunciado por línguas estrangeiras”, pelo que foi alterado “por conveniência”.

O nome “Naoero” já era utilizado pelo serviço postal, pelo serviço nacional de saúde e pelo fornecedor de serviços públicos. Agora, a mudança terá também impacto na designação das aeronaves e navios nacionais. O Governo está a procurar que outros países e instituições internacionais reconheçam a nova designação.

O site das Nações Unidas já regista o país pelo novo nome, depois de o Governo ter pedido a alteração em junho. Os ministérios dos Negócios Estrangeiros da Austrália e da Nova Zelândia, assim como as embaixadas dos Estados Unidos e da China na região, também utilizam Naoero nos respetivos sites.

O presidente David Adeang defendeu a mudança num discurso perante o Parlamento, em janeiro, afirmando que a nova designação permitiria “honrar de forma mais fiel o património, a língua e a identidade” da nação. A proposta foi aprovada no início de agosto pelos deputados nas duas votações exigidas para a alteração constitucional.

Inicialmente, o Governo tinha anunciado a realização de um referendo para confirmar a mudança. No entanto, depois de “extensas discussões”, os deputados decidiram que a consulta popular não era necessária. O Governo argumentou que o nome Naoero nunca deixou de existir: já fazia parte da identidade da população, do brasão nacional e era utilizado na comunidade, além de ser permitido pela Constituição.

Uma ilha com vários nomes

A história da ilha inclui várias alterações na forma como o território foi designado. Em 1798, foi batizada de “Pleasant Island” por um navegador britânico, depois de este ter ficado impressionado com a sua beleza e com a generosidade da população. Após a anexação pela Alemanha, em 1888, o nome “Nauru” entrou nos registos oficiais, embora também tenham sido utilizadas variantes como “Nawodo” e “Navoda Onawero”.

Quando a Austrália assumiu a administração principal da ilha, em 1919, ao abrigo de um mandato da Sociedade das Nações, manteve a grafia “Nauru”. A designação permaneceu após a independência, em 1968.

Para especialistas em topónimos indígenas, a alteração de nomes não representa apenas uma questão de grafia. Zoltán Grossman, professor de geografia e estudos dos povos nativos no Evergreen State College, nos Estados Unidos, considera que a mudança de topónimos fez historicamente parte do exercício do poder colonial e esteve associada ao apagamento da presença dos povos originários.

Jordan Engel, fundador do Decolonial Atlas, defende que existe um “crescente impulso” para recuperar topónimos indígenas. Segundo o especialista, a descolonização está relacionada com a autodeterminação, incluindo a possibilidade de falar a própria língua e utilizar os nomes ancestrais dos lugares.

A língua de Nauru, conhecida como nauruano ou dorerin Naoero, é classificada pela UNESCO como “severamente ameaçada”. Embora seja falada entre amigos e familiares, não é ensinada nas escolas. Assim, a recuperação do nome tradicional é apresentada como uma forma de reforçar a identidade e a continuidade cultural.

Uma riqueza natural: o fosfato

Nauru era habitada muito antes da chegada dos europeus. A ilha era ocupada por uma população micronésia organizada tradicionalmente em diferentes grupos e comunidades, com uma economia baseada sobretudo na pesca, nos coqueiros e noutras culturas.

Em 1900, foram descobertos grandes depósitos de fosfato em Nauru. O recurso revelou-se extraordinariamente valioso numa altura em que a utilização de fertilizantes fosfatados estava a crescer. Pouco depois, em 1907, a primeira carga de fosfato foi enviada para a Austrália.

A exploração foi desenvolvida pela Pacific Phosphate Company, uma empresa de capitais britânicos. E aqui começa uma das características mais importantes da história colonial de Nauru: embora a ilha estivesse sob soberania alemã, a exploração do seu principal recurso passou rapidamente a estar ligada a interesses empresariais e agrícolas estrangeiros.

Os habitantes locais não estavam inicialmente interessados em trabalhar nas minas e continuavam ligados às suas atividades tradicionais. Para trabalhar na exploração mineira foram levados trabalhadores de outras ilhas do Pacífico e da China e, em poucos anos, enormes quantidades de fosfato começaram a sair da ilha.

A Primeira Guerra Mundial alterou novamente o destino de Nauru. Em 1914, forças australianas ocuparam a ilha, que deixou de estar sob controlo alemão. Depois da guerra, Nauru passou a ser um mandato da Sociedade das Nações, atribuído ao Reino Unido, mas administrado conjuntamente por Austrália, Reino Unido e Nova Zelândia. Na prática, a administração era sobretudo australiana.

A exploração do fosfato continuou. Em 1919 foi estabelecido um acordo entre as três potências para administrar a ilha e explorar os seus depósitos através dos British Phosphate Commissioners.

O fosfato de Nauru tinha uma importância enorme para a agricultura australiana e neozelandesa. Isso ajuda a explicar por que razão a ilha, apesar da sua pequena dimensão e do reduzido número de habitantes, adquiriu uma importância económica desproporcional.

Anos depois, a Segunda Guerra Mundial trouxe uma nova rutura. Em 1942, durante a expansão japonesa no Pacífico, Nauru foi ocupada pelo Japão. Cerca de 1.200 nauruanos foram deportados para Truk, nas Ilhas Carolinas, para trabalhar em condições extremamente difíceis. Menos de 600 nauruanos permaneceram na ilha. Cerca de 700 sobreviventes regressariam a Nauru em 1946.

A ilha sofreu também ataques durante a guerra. A exploração de fosfato foi interrompida e só seria retomada depois do conflito.

Em 1947, Nauru tornou-se um Território sob Tutela das Nações Unidas, continuando a ser administrado pela Austrália, em associação com o Reino Unido e a Nova Zelândia. A partir daí começou a ganhar força uma questão fundamental: quem deveria controlar a riqueza produzida pelo fosfato?

A exploração tinha enriquecido interesses estrangeiros e fornecido fertilizantes essenciais à agricultura de outros países, enquanto os nauruanos tinham pouco controlo sobre o seu principal recurso.

A luta política na ilha passou, por isso, não apenas pela independência, mas também pela recuperação do controlo sobre a indústria do fosfato. Um estudo histórico da Australian National University descreve precisamente esse conflito como uma luta dos nauruanos pelo controlo dos recursos da ilha e pelo benefício económico da sua exploração.

O caminho para a independência

Na década de 1960, os nauruanos começaram a obter maior autonomia política.

Em 1966, foram criados Conselhos Legislativo e Executivo, proporcionando um grau significativo de autogoverno. No ano seguinte, os British Phosphate Commissioners concordaram em vender à futura Nauru os ativos da indústria do fosfato por cerca de 20 milhões de dólares australianos, num processo que permitiria ao novo Estado assumir o controlo da exploração.

Finalmente, em 31 de janeiro de 1968, o acordo de tutela foi terminado e Nauru tornou-se uma república independente.

Era o fim de quase oito décadas de domínio estrangeiro — primeiro alemão, depois britânico/australiano/neozelandês e, durante a guerra, japonês.

A independência não significou, contudo, o fim da história iniciada pela colonização. A exploração intensiva do fosfato tinha transformado profundamente a ilha. Durante décadas, o seu interior foi sendo escavado para retirar o minério, deixando grandes áreas de terreno degradado.

Depois da independência, Nauru assumiu o controlo da indústria. Em 1 de julho de 1970, a Nauru Phosphate Corporation tomou conta da exploração do fosfato.

Durante algum tempo, a estratégia pareceu funcionar. Nauru tinha uma população muito pequena e enormes receitas provenientes de um recurso extraordinariamente valioso.

Mas o fosfato era finito. Quando as reservas começaram a diminuir, o país perdeu a principal fonte de riqueza que tinha sustentado a sua economia durante décadas — e a pequena ilha ficou com uma economia extremamente dependente de um recurso que tinha sido explorado intensivamente desde o período colonial.
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