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A cimeira irá decorrer até quarta-feira no Palácio Presidencial de Ancara, na Turquia, e Portugal estará representado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.

De acordo com a agenda oficial da cimeira, vão ser discutidos três assuntos: o investimento em Defesa, o reforço da produção industrial e o apoio à Ucrânia.

No entanto, um dos principais temas desta reunião deverá ser as críticas que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem dirigido aos seus aliados europeus, depois de países como Espanha, Itália ou o Reino Unido terem recusado ceder as suas bases militares para operações ofensivas contra o Irão.

Nos últimos dias, Donald Trump tem reiterado as críticas aos aliados, afirmando que os Estados Unidos são o país que gasta mais na NATO e "não recebe nada em troca", e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, já afirmou que esta será "provavelmente uma das cimeiras mais importantes da história" da Aliança.

"A posição do presidente - ou, para ser mais claro, a sua desilusão - em relação a alguns dos nossos aliados da NATO e à resposta que deram às nossas operações no Médio Oriente está amplamente documentada. Essa situação terá de ser abordada", afirmou Rubio.

Além deste episódio mais recente, o último ano ficou também marcado pela ameaça de um conflito aberto entre aliados da NATO, após Donald Trump ter admitido, em janeiro, recorrer à força militar para anexar a Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca.

Esta crise diplomática, entretanto dissipada, levou Donald Trump a ameaçar sair da NATO - uma ameaça que reiterou recentemente com a guerra no Irão - e os europeus a equacionarem, pela primeira vez, a possibilidade de a Europa ficar sem o chamado "guarda-chuva" norte-americano.

Apesar destas tensões, altos quadros diplomáticos da NATO recusam que a cimeira de Ancara seja de rutura, assegurando que, pelo contrário, será "de unidade" e os aliados irão reafirmar o seu compromisso com o artigo 5.º da Aliança, que consagra o princípio da defesa coletiva em caso de ataque a um dos membros.

O que é expectável, contudo, é que os aliados europeus se comprometam a assumir mais responsabilidades ao nível da Defesa coletiva convencional da Europa, numa altura em que os Estados Unidos já manifestaram a vontade de reduzirem significativamente a sua presença militar no continente.

O objetivo é que essa redução seja feita de maneira coordenada, com os europeus a assumirem progressivamente mais responsabilidades à medida que os americanos se retiram, até assumirem a liderança da Defesa convencional, ou seja não nuclear, do continente.

Por outro lado, apesar da postura de Donald Trump quanto ao conflito na Ucrânia, a cimeira deverá também reafirmar o apoio da NATO a Kiev, a nível militar, financeiro e energético, estando previsto que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, participe no jantar que será oferecido pelo presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, na terça-feira.

No que se refere à guerra no Irão, a mensagem que irá constar da declaração final deverá ser breve, com um parágrafo no qual se sublinhará que Teerão não pode dispor de armas nucleares e se defenderá a importância da liberdade de navegação no estreito de Ormuz.

À margem da cimeira dos chefes de Estado e de Governo, na terça-feira, será igualmente organizado um Fórum da Indústria de Defesa, que irá reunir governantes, empresas e "start-ups", incluindo portuguesas, que desenvolvem produtos em áreas que vão da Inteligência Artificial ao ciberespaço, passando por drones ou mísseis.

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