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A decisão norte-americana foi confirmada pelo Pentágono, que indicou que a retirada deverá ocorrer ao longo dos próximos seis a 12 meses. Já o governo alemão procurou desvalorizar o impacto do anúncio, classificando-o como “antecipado” e sublinhando que serve de lembrete para a necessidade de a Europa investir mais na sua própria defesa.
A medida surge após críticas públicas de Merz à condução da guerra com o Irão por parte de Trump e à gestão das negociações subsequentes com Teerão. Na segunda-feira, o chanceler afirmou que os Estados Unidos estavam a ser “humilhados” pelos líderes iranianos, comentário que motivou uma reação imediata de Trump, que respondeu dizendo que Merz “não sabe do que está a falar” e, pouco depois, levantou a hipótese de retirar tropas da Europa.
A porta-voz da NATO, Allison Hart, declarou no sábado que a aliança está a “trabalhar com os EUA para compreender os detalhes da sua decisão sobre a postura militar na Alemanha”, sugerindo que o anúncio terá sido feito de forma unilateral, com pouca ou nenhuma coordenação prévia com os aliados europeus.
“Este ajustamento sublinha a necessidade de a Europa continuar a investir mais em defesa e assumir uma maior parte da responsabilidade pela nossa segurança partilhada”, afirmou Hart, recordando que os aliados da Nato acordaram no ano passado investir 5% do PIB em defesa, face à crescente ameaça da Rússia.
Também o Ministério da Defesa alemão considerou que a retirada planeada demonstra a necessidade de “reforçar o pilar europeu dentro da NATO”. Segundo Berlim, era expectável que Washington viesse a reduzir a sua presença militar na Europa, incluindo na Alemanha, onde estão atualmente destacados cerca de 40.000 militares norte-americanos.
Responsáveis norte-americanos indicaram que uma brigada de combate do Exército atualmente estacionada na Alemanha deverá ser retirada e que o envio planeado de um batalhão de artilharia de longo alcance foi cancelado, podendo outras unidades ser igualmente afetadas.
Dados do Centro de Dados de Recursos Humanos da Defesa dos EUA indicam que existem cerca de 68.000 militares norte-americanos em serviço ativo colocados permanentemente em bases na Europa. Novas retiradas poderão gerar um conflito com o Congresso dos EUA, que estipulou no ano passado que o efetivo militar no continente não deve cair abaixo dos 76.000 soldados, após a retirada de uma brigada da Roménia.
Entretanto, cresce a preocupação nas capitais europeias com o adiamento de vendas de armamento previamente acordadas com os Estados Unidos. Segundo noticiou o Financial Times, a administração Trump alertou aliados como o Reino Unido, a Polónia, a Lituânia e a Estónia para atrasos significativos na entrega de armas, uma vez que o Pentágono está a dar prioridade à reposição dos stocks usados na guerra com o Irão.
Em contraste, o Departamento de Estado norte-americano anunciou na sexta-feira a aprovação de mais de 8,6 mil milhões de dólares em vendas militares a aliados no Médio Oriente, incluindo Israel, Qatar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.
As tensões transatlânticas agravaram-se ainda mais após a recusa dos aliados da NATO em apoiar militarmente a guerra com o Irão, na sequência do ataque inicial lançado pelos EUA e por Israel a 28 de fevereiro.
Merz chegou a oferecer a participação de navios alemães de desminagem para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, mas apenas no quadro de um cessar-fogo permanente e com mandato das Nações Unidas ou da União Europeia. Em entrevista à revista Der Spiegel, o chanceler afirmou que explicou pessoalmente a Trump por que razão considera a guerra com o Irão um erro, acrescentando que tem procurado manter uma relação pessoal funcional com o presidente norte-americano.
Os esforços diplomáticos para pôr fim ao conflito permanecem bloqueados, depois de Trump ter declarado não estar “satisfeito” com uma proposta iraniana que previa o levantamento mútuo dos bloqueios ao Estreito de Ormuz, adiando temporariamente as questões nucleares e de segurança. O The Wall Street Journal noticiou que o Irão terá suavizado algumas das suas condições para retomar as negociações, mas ainda não foi marcada uma nova ronda de contactos.
A retoma do diálogo poderá ser ainda mais dificultada por uma nova vaga de ataques aéreos israelitas no sul do Líbano. A agência estatal libanesa informou que vários bombardeamentos causaram pelo menos sete mortos em diferentes localidades. O exército israelita afirmou ter atingido mais de 50 alvos associados ao Hezbollah e intercetado um foguete dirigido contra tropas israelitas no sul do país.
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