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O Supercrescimento Bacteriano do Intestino Delgado, mais conhecido pela sigla inglesa SIBO (Small Intestinal Bacterial Overgrowth), é uma condição cada vez mais reconhecida, mas que durante anos passou despercebida a muitos doentes e profissionais de saúde.

Para ajudar a esclarecer dúvidas e orientar quem vive com este problema digestivo, Joana Oliveira escreveu "O Que Comer com SIBO", apresentado como o primeiro livro português dedicado em simultâneo à explicação da doença e à disponibilização de receitas adaptadas às necessidades destes doentes.

A autora explica ao 24notícias que a principal motivação para escrever a obra "foi constatar que não havia informação atualizada e fidedigna sobre o que comer com este tipo de problemas digestivos".

Joana Oliveira considera que existia uma clara lacuna editorial no país. "Não havia ainda em Portugal nenhum livro de receitas e com informação científica sobre SIBO. Penso que ele pode ajudar a compreender e a lidar com esta doença", sublinha.

Segundo a autora, o livro distingue-se de uma obra de culinária saudável convencional porque assenta na identificação dos alimentos que podem agravar os sintomas da doença. A abordagem baseia-se na dieta low FODMAP, que reduz o consumo de determinados hidratos de carbono fermentáveis, presentes em alimentos como a lactose ou a frutose.

"Há alimentos que têm demasiados FODMAP, ou seja, hidratos de carbono de fermentação lenta, como a lactose ou a frutose. Eles provocam sintomas digestivos desagradáveis em pessoas com SIBO. Ao reduzirmos o seu consumo, estamos a contribuir para a cura desta doença. As receitas do livro ajudam a chegar lá", explica.

Apesar das restrições alimentares inerentes ao tratamento, Joana Oliveira procurou criar receitas consensuais. "A minha principal preocupação quando desenvolvo receitas é que toda a gente goste e que não repare que é feita para quem tem restrições alimentares", refere.

O que é o SIBO?

Para quem nunca ouviu falar da doença, a autora resume-a de forma simples: "SIBO é uma doença causada por um crescimento excessivo de bactérias no intestino delgado. Não é uma infeção, mas sim uma disbiose intestinal, ou seja, um desequilíbrio da microbiota do intestino delgado".

Na sua perspetiva, a doença é hoje mais facilmente reconhecida do que no passado graças à evolução dos métodos de diagnóstico. "Felizmente hoje é mais conhecido pois é mais fácil de diagnosticar. Com um simples teste respiratório, muito semelhante ao da lactose, os médicos podem rapidamente identificar o SIBO e começar o tratamento", explica.

Os sintomas mais frequentes incluem náuseas, diarreia e obstipação, mas Joana Oliveira alerta para outros sinais que muitas vezes são desvalorizados.

"É importante estarmos atentos aos sintomas tais como desconforto abdominal, gases, sensação de enfartamento e má digestão", alerta, recordando que "toda a gente pode ter SIBO" e que esta condição pode surgir em qualquer fase da vida.

Alimentação faz parte do tratamento

A autora faz questão de desfazer um dos mitos mais comuns em torno da doença: a ideia de que não tem cura. "Embora as recaídas sejam frequentes, é possível erradicar o SIBO com antibióticos, apoiados pela dieta low FODMAP", afirma.

Ainda assim, salienta que a alimentação deve ser encarada como parte integrante do tratamento e não como uma solução isolada.

"O tratamento de SIBO deve incluir a toma de antibióticos e um ajuste na alimentação", explica, acrescentando que, numa fase inicial, devem ser evitados alimentos como leite, maçã, alho, cebola e trigo, entre outros. Para orientar os doentes, recomenda a utilização da aplicação Monash FODMAP, desenvolvida pelos investigadores que criaram esta abordagem alimentar.

Joana Oliveira reconhece que, à primeira vista, a dieta pode parecer demasiado restritiva, mas garante que é possível manter uma alimentação variada. "No início pode parecer complicado, mas com a ajuda certa conseguimos", assegura.

Livro: "O Que Comer com SIBO"

Autor: Joana Oliveira

Editora: Penguin Random House

Data de lançamento: janeiro de 2026

Preço: € 17,76

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Um dos erros mais frequentes, diz, é prolongar indefinidamente as restrições da primeira fase da dieta. "O mais comum é ficarem presos às restrições da primeira fase, pois a reintrodução dos alimentos da segunda fase é importante e necessária ao tratamento".

Também considera que alguns alimentos continuam injustamente associados a problemas digestivos. "Quem segue esta abordagem alimentar deve evitar o trigo, não o glúten, e pode comer a maioria dos queijos, pois têm pouca ou nenhuma lactose", esclarece.

Mais informação e melhor acompanhamento

Questionada sobre a literacia em saúde digestiva, Joana Oliveira acredita que o panorama tem evoluído positivamente. "Penso que nunca se falou tanto como agora. A Associação Portuguesa de Nutrição e a Sociedade Portuguesa de Gastroenterologia estão muito ativas na desmistificação de mitos e combate à pseudociência, muito presente nas redes".

Ainda assim, deixa um apelo aos profissionais de saúde para que valorizem mais os sintomas relatados pelos doentes e acompanhem a evolução do conhecimento científico.

"Sobretudo que oiçam as queixas, que não desvalorizem, que se atualizem, sobretudo no que toca à nutrição como ferramenta na cura de algumas patologias digestivas como o SIBO ou na redução de sintomas no caso da Síndrome do Intestino Irritável, bastante comum em pessoas com SIBO", conclui.

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