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Num momento em que vários países europeus se distanciam politicamente de Donald Trump, a Grécia segue outra estratégia e aposta no reforço das relações com o movimento MAGA. O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, tem destacado a influência dos “pensadores gregos” na formação dos pais fundadores dos Estados Unidos, sublinhando a ligação histórica entre as duas nações e prometendo uma receção "calorosa" ao presidente norte-americano caso este visite o país durante as celebrações de 1776.

A embaixadora dos Estados Unidos em Atenas, Kimberly Guilfoyle, confirmou esta semana que Trump deve visitar a Grécia, embora sem avançar datas, revela o jornal Politico. Desde que assumiu funções em novembro, tem sido uma das principais defensoras de um discurso do presidente na Acrópole, o conjunto monumental que domina a capital grega, chegando a afirmar: “Não gostaríamos todos disso?”.

Donald Trump tem correspondido às aproximações vindas de Atenas, descrevendo a Grécia como “fantástica” e elogiando Mitsotakis, formado em Harvard, como “um tipo fantástico”. Esta aproximação contrasta com a deterioração de relações com outros líderes europeus, como a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni e o chanceler alemão Friedrich Merz.

Para o governo grego, uma eventual visita de Trump ultrapassa a dimensão simbólica. Atenas considera os Estados Unidos o principal garante de segurança face à Turquia, sobretudo devido à presença militar norte-americana na ilha de Creta, e procura também contrariar a aproximação entre Trump e o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan.

Paralelamente, a Grécia tem reforçado os laços económicos com Washington, apostando em acordos energéticos e na atração de investimento norte-americano em infraestruturas estratégicas, incluindo portos. Esta estratégia insere-se numa aproximação política e ideológica crescente entre os dois países, com o governo grego a assumir posições mais à direita em temas como imigração, identidade cultural e religião.

Desde a chegada de Kimberly Guilfoyle, a relação bilateral ganhou novo impulso. A embaixadora tem promovido uma agenda económica centrada nos interesses norte-americanos, destacando acordos no setor energético, como o arranque da exploração offshore com a ExxonMobil, o primeiro projeto deste tipo em mais de quatro décadas na Grécia.

Pouco depois, Atenas assinou um acordo com a Ucrânia para o fornecimento de gás natural liquefeito dos Estados Unidos, alinhando-se com os esforços de Washington para reduzir a dependência europeia do gás russo. Em simultâneo, a diplomata norte-americana tem defendido uma postura firme face à influência chinesa, criticando a participação de Pequim no porto de Pireu e incentivando alternativas apoiadas pelos Estados Unidos.

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