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Apesar de o PSD, em termos políticos, ter vindo a negociar em várias matérias com o Chega, os seus simpatizantes mantêm uma avaliação particularmente negativa do partido de André Ventura. Na sondagem, na escala de 0 a 10, o Chega recebe cerca de 2,8 valores entre apoiantes sociais-democratas, ficando pior avaliado do que o PS e até do que partidos mais à esquerda, como o Bloco de Esquerda, a CDU ou o Livre. Em contraste, os simpatizantes do PSD avaliam melhor a Iniciativa Liberal e o CDS do que o Chega, o que indica que a proximidade política institucional não se traduz necessariamente em proximidade emocional ou de simpatia entre eleitorados.
No conjunto da amostra, o PS surge como o partido melhor avaliado, com cerca de 5,2 valores, seguido do PSD com 4,8, enquanto os restantes partidos ficam abaixo do ponto neutro da escala. À esquerda e na direita radical, partidos como o Bloco, a CDU e o Chega situam-se nos níveis mais baixos de avaliação média, ainda que a diferença mais marcada seja a penalização do Chega.
A sondagem destaca também o forte peso emocional da perceção sobre o Chega. É o partido cujos apoiantes são mais frequentemente descritos com linguagem negativa e moralmente carregada: cerca de 46% das descrições feitas aos seus simpatizantes têm valência negativa, incluindo termos associados a extremismo, como “fascistas” ou “fanáticos”, e também desqualificações pessoais como “corruptos”, “mentirosos”, “burros” ou “malucos”. Este padrão é transversal ao eleitorado e faz do Chega o principal alvo de rejeição simbólica no sistema partidário português. Ainda assim, esta dinâmica é recíproca, já que os próprios simpatizantes do Chega são também os que mais recorrem a linguagem negativa para caracterizar apoiantes de outros partidos.
A análise mostra igualmente algumas inversões interessantes nas perceções cruzadas entre eleitorados. O Chega tende a avaliar relativamente melhor partidos como o PSD e a Iniciativa Liberal do que os restantes, mas essa perceção não é correspondida, sobretudo por parte do eleitorado social-democrata, que mantém uma distância clara em relação ao partido de Ventura. Já o PS, apesar de rival histórico do PSD, é menos negativamente avaliado pelos seus simpatizantes do que o Chega.
No plano da polarização afetiva, o estudo indica que existe tensão política em Portugal, mas dentro de limites relativamente moderados. Cerca de 16% dos portugueses admitem evitar falar de política para não gerar conflitos, e aproximadamente 23% dizem sentir “detestar” pessoas com opiniões políticas opostas. Há também uma proporção relevante de inquiridos que reconhece viver em bolhas sociais, com grande parte dos amigos e familiares a partilhar a mesma orientação política.
Apesar disso, os dados mostram que a polarização não se traduziu, de forma generalizada, em rutura social. Apenas cerca de 3% dos inquiridos admitem ter cortado relações pessoais por motivos políticos, e a grande maioria rejeita a ideia de excluir pessoas de outras opções partidárias em contextos familiares ou sociais, como casamento ou vizinhança.
No seu conjunto, a sondagem sugere que Portugal vive uma polarização sobretudo política e emocional, mas ainda com baixo impacto nas relações sociais quotidianas. A clivagem mais intensa concentra-se na perceção do Chega, enquanto o resto do sistema partidário mantém níveis de avaliação relativamente próximos e uma convivência social ainda estável.
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