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Às nove horas em ponto desta quinta-feira, 30 de abril, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, chegou à unidade industrial do Grupo Nabeiro‑Delta Cafés, em Campo Maior, distrito de Portalegre. Poucos instantes antes, chegara Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e da Coesão Territorial.
As duas figuras do Governo estavam a convite da administração da empresa portuguesa nascida e mantida no interior alentejano para testemunharem, na primeira pessoa, o investimento superior a 20 milhões de euros na modernização e expansão da fábrica NovaDelta, “o maior investimento de sempre na nossa história industrial” destacou Rui Miguel Nabeiro, CEO do Grupo Nabeiro Delta-Cafés.
A aposta permitirá à Delta aumentar a capacidade de produção desta unidade industrial e acelerar o crescimento nos mercados internacionais, tendo em vista alcançar o Top 10 mundial das marcas de café, depois de ter entrado, oficialmente, em 2026, no Top 20.
Presente em peso, a administração do Grupo, liderada por Rui Miguel Nabeiro, CEO, acompanhado por Ivan Nabeiro, administrador, netos do comendador Rui Nabeiro, fundador e João Manuel Nabeiro, filho e Chairman, conduziu Luís Montenegro e Castro Almeida por parte dos mais de 44 mil m2 da área industrial da NovaDelta.
De bata branca vestida e, no caso, chapéu preto de pala (e não touca) como manda as regras, inscrição de visitante no dorso, a dupla do Executivo português percorreu, vagarosamente, os passos deste espaço onde está instalada diversa maquinaria a operar autonomamente e as áreas de embalamento da produção de café.
O projeto de modernização da unidade incluiu “um novo armazém de café verde, novos silos, novas linhas de embalamento e de cápsulas (máquina inaugurada) e um novo parque fotovoltaico que reforça a nossa produção de energia renovável e reduz a nossa dependência energética”, viria a destacar, na cerimónia, Rui Miguel Nabeiro.
Ladeado por Castro Almeida, o Luís (Montenegro) com sacas empilhadas como pano de fundo mordeu um grão de café, escutou as palavras de Adelino Cardoso, colaborador com mais de 40 anos de serviço, sobre a arte de torrefação e a diferenciação dos lotes, e, no laboratório de Qualidade, bebeu um café, o primeiro do dia, Lote Angola, viriam a elucidá-lo depois de questionar.
Cumprimentou, sempre sorridente, colaboradores e colaboradoras, teve honras de colocar (pressionou o botão) a nova máquina de cápsulas a trabalhar e recebeu o Lote Portugal (café moído torrado de intensidade 12), um blend de homenagem ao país, antes de se dirigir (mais a imensa comitiva que incluía jornalistas portugueses e espanhóis) para o Centro de Ciência do Café.
Entrar no Top 10 mundial a partir de Campo Maior
Estar no Top 10 mundial é o desejo dos responsáveis do Grupo Nabeiro-Delta Cafés. Um desejo e uma “decisão de continuar a crescer a partir daqui”, de Campo Maior, no Alentejo, resistindo à tentação de “descentralizar a produção”, atestou o CEO do grupo Nabeiro-Delta Cafés.
“A previsão é igual à ambição. 15 anos, é o que ambicionamos”, disse aos jornalistas, Rui Miguel Nabeiro, à porta do Centro de Ciência do Café.
O caminho será feito “um passo de cada vez”, assinalou. “Somos, sobretudo, gente muito consciente. O meu avô ensinou-me que só levantamos um pé quando já temos o outro assente no chão e é isso que temos estado a fazer”, continuou.
“Temos estado a crescer com um ritmo interessante. Há dois anos ocupávamos a 22ª posição neste ranking. É muito bom, dois anos depois, entrar no Top 20. Portanto, ainda não é a Liga dos Campeões, mas já é a Liga dos Melhores”, exaltou.
“Temos um roadmap muito claro, vamos medindo a cada ano”, sublinhou o CEO do Grupo Nabeiro-Delta Cafés, ao considerar “importante” a “cobertura europeia”, apontou”.
Em relação ao investimento feito, explicou. “A nossa fábrica precisava de ser requalificada e preparada para estes desafios. Não basta dizer que temos uma ambição de crescimento e depois não termos a capacidade para o fazer”, fixou.
“Aquilo que aqui fizemos ao longo destes últimos seis anos foi ir modernizando os equipamentos e dotando a fábrica de uma capacidade diferente”, evidenciou.
“Passamos de uma capacidade de há cinco anos de 100 toneladas dia para uma capacidade de 200 toneladas, hoje”, especificou. A duplicação da capacidade produtiva consolida a empresa “como a maior torrefação da Península Ibérica”, afirmou.
Tudo passou por investimentos em software, eficiência e pela “aquisição importante da nova máquina de cápsulas que hoje inauguramos”, relembrou.
Antes, no Auditório Comendador Rui Nabeiro, Rui Miguel Nabeiro recordou a história do grupo e o legado do fundador que criou uma empresa nascida no interior do Alentejo “com três pessoas e uma bola de torrefação” e hoje emprega mais “4 mil colaboradores”, dos quais, “diretamente mais de 1400 pessoas” em Campo Maior.
Hoje, o grupo está, dados de 2025, presente “em mais de 50 países, oito dos quais com operações diretas” registou uma “faturação superior a 650 milhões de euros”, e “as exportações representam “35% do nosso volume de negócios”, indicou durante a cerimónia protocolar decorrida no Centro de Ciência do Café.
“Previsibilidade, estabilidade, simplificação e foco na competitividade”, os pedidos de Rui Miguel Nabeiro a Luís Montenegro
Entre recordações do legado deixado pelo avô e considerações sobre economia e coesão territorial, Rui Miguel Nabeiro enviou recados ao Executivo.
“O que esperamos do país é previsibilidade, estabilidade, simplificação e foco na competitividade”, avisou durante o discurso. “Quando falo de previsibilidade e estabilidade, refiro-me ao impacto das regras. As empresas tomam decisões de longo prazo e fazem-no melhor quando o enquadramento é estável. Não é uma exigência de conforto, é sim, uma condição de competitividade”, descreveu.
O CEO do grupo pediu uma política fiscal “orientada para a competitividade” e alertou que Portugal “precisa de um sistema que estimule quem investe, quem exporta e quem cria emprego qualificado”, disse.
Essa nuance “não deve ser entendido como um favor às empresas”, mas sim como uma “estratégia de desenvolvimento do país”, assinalou.
“Portugal tem empresas com ambição global. O que precisamos é de um Estado que trate essa ambição como um ativo nacional”, exclamou.
Ligar as capitais de Distrito por autoestrada. A promessa de Montenegro entre dois cafés
No final da visita, o primeiro-ministro, Luís Montenegro recordou que o Governo está a “apostar numa política fiscal mais amiga das empresas e do investimento”, e procura que esta “retire menos impostos para dar às empresas maior disponibilidade” que se traduza em melhores salários.
“O Estado deve facilitar a vida dos cidadãos e das empresas. Apostamos num modelo fiscal previsível e que simplifique a vida das empresas”, sublinhou.
Reforçou a aposta do Executivo “num modelo previsível de fiscalidade, num modelo simplificado com o Estado, num modelo de criação de infraestruturas que favoreçam a ocupação do território, a distribuição de investimentos no território, como fator em primeiro lugar de coesão social focado nas pessoas, mas também em estratégia de desenvolvimento”, comentou.
E porque não há cerimónia pública sem uma notícia do dia, Luís Montenegro largou uma novidade ao assumir o compromisso do Governo de ligar por autoestrada Beja, Évora e Portalegre, para que o território “esteja mais próximo” e, desta forma, “poder também competir” ao nível económico e empresarial.
“O objetivo é termos todas as capitais de distrito servidas e ligadas por autoestrada, foi um compromisso que o Manuel Castro Almeida (ministro da Economia) assumiu e que vai cumprir connosco”, transmitiu, palavras revestidas de recado partidário ao colega de Executivo, deputado e candidato pelo círculo eleitoral de Portalegre, que não consumou a eleição.
“Neste momento temos em procedimento o estudo para a ligação da autoestrada a Portalegre e estamos vislumbrar, quer a norte quer a sul, quer a ligação de Portalegre à A6 e quer a ligação de Portalegre à A23 e está já em execução a obra que ligará a A2 a Beja”, explicou.
“Portanto, todas as capitais de distrito ficarão conectadas pela via rodoviária em formato autoestrada o que é um sinal significativo daquilo que são as condições que temos de dar ao território, para que ele esteja mais próximo, para que esteja naturalmente em igualdade de circunstâncias para poder também competir”, acrescentou num discurso de mais de 28 minutos durante o qual couberam rasgados elogios à cultura empresarial herdada (do comendador Nabeiro).
“Acreditar que é possível ter uma grande empresa em Campo Maior, desenvolvendo um projeto com os trabalhadores e em proximidade com a região e o setor social”, acrescentou antes de tomar o segundo café do dia e receber, das mãos de Rui Miguel Nabeiro e da administração do Grupo Nabeiro Delta-Cafés o Lote Terno, o último produzido em vida pelo Comendador Rui Nabeiro.
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