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"Hoje podemos sentir nas cinzas que nos são impostas o peso de um mundo a arder; de cidades inteiras desintegradas pela guerra; as cinzas do Direito Internacional e da Justiça entre os povos, as cinzas de ecossistemas inteiros e da concórdia entre as pessoas, as cinzas do pensamento crítico e da sabedoria ancestral local, as cinzas daquele sentido do sagrado que habita em cada criatura", afirmou o Papa na sua homilia.
Leão XIV, eleito em maio do ano passado, após a morte de Francisco (2013-2025), celebrou assim a sua primeira quarta-feira de cinzas, que iniciou participando na tradicional procissão no monte romano Aventino, entre a igreja de Santo Anselmo e a basílica de Santa Sabina.
Depois, neste último templo, um dos mais antigos da cidade de Roma, o Papa presidiu ao rito da colocação de cinzas, durante o qual proferiu uma homilia em que exortou a Igreja a formar "comunidade", "abrindo-se" aos jovens.
"Sabemos como é difícil atualmente unir as pessoas e fomentar um sentido de comunidade, não de forma nacionalista e agressiva, mas numa comunhão onde todos encontrem o seu lugar", afirmou.
A este propósito, defendeu que os povos e a Igreja reconheçam os seus próprios pecados porque "o mal não provém de supostos inimigos, mas entrou nos nossos corações", razão pela qual pediu que o assumamos "com corajosa responsabilidade".
Recordou também que, embora "o pecado seja sempre pessoal", na atualidade, e tanto em contextos reais como virtuais, "não são poucas as vezes" em que surge dentro de "autênticas estruturas de pecado de natureza económica, cultural, política e até religiosa".
"E como é raro encontrar adultos que se arrependam, pessoas, empresas e instituições que admitam ter cometido um erro", lamentou.
Leão XIV observou ainda que "muitos jovens, mesmo em contextos secularizados, sentem o chamamento" da quarta-feira de cinzas com mais força do que no passado e convidou a Igreja Católica a abrir-se a eles.
"São os jovens, de facto, quem percebe claramente que é possível um modo de vida mais justo e que há responsabilidades pelo que não está a funcionar na Igreja e no mundo (...). Entendamos, então, o alcance missionário da Quaresma (...) para a abrir a tantas pessoas preocupadas e bem-intencionadas", instou.
Uma vez terminada a homilia, o Papa recebeu do cardeal Angelo de Donatis, Penitenciário-Mor, cinzas na cabeça e depois distribuiu-as ele mesmo pelos restantes cardeais e alguns clérigos presentes na missa.
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