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Para António José Seguro, "seis anos depois, ao observar a extensão da Feira, a sua dimensão, bem como o previsto crescimento para este ano, que confirmou a tendência dos anos anteriores, temos razões para algum otimismo. Mas hoje não é a altura para essa reflexão, que é bem necessária, sobre como aumentar o número de leitores e de bons leitores, ou como fomentar hábitos de leitura a partir da escola ou das pequenas bibliotecas de família".

"As inquietações sobre a oscilação dos números da literacia, sobre o impacto da Inteligência Artificial, sobre a mil vezes anunciada crise da leitura, merecem uma discussão muito séria, com números e factos reais, e com o envolvimento de todos nós", revelou.

"Todos nós, ou seja, todos os que acham que a leitura (e essencialmente a leitura de livros) é um dos pilares de uma sociedade democrática, informada, preparada para os desafios do tempo e ciente de que uma comunidade que não valoriza a leitura, a partilha de histórias e de conhecimento, é uma sociedade que se empobrece a si própria. Que escolhe empobrecer. Que escolhe substituir o debate de ideias pela obediência a algoritmos. Que escolhe a velocidade contra a ponderação e a experiência humana. Que escolhe a aceitação contra a liberdade", afirmou.

Para Seguro, isto é fruto dos "editores, livreiros, alfarrabistas, distribuidores, fundações e parceiros culturais, mereceis uma palavra de elogio: está feita a vossa parte; há livros no Parque, por onde circularão milhares de leitores e, espero, milhares de livros acabados de autografar pelos seus autores. Solitários ou em família, cautelosos ou eufóricos, como é a nossa condição de leitores, milhares de pessoas devolvem-nos o espírito da festa. Para ela, todos vós contribuíram com os melhores dos vossos livros".

Para o Presidente da República, "no ciclo dos grandes acontecimentos anuais, a Feira do Livro de Lisboa está prestes a completar um século de existência. Salvo raras exceções, não houve final de primavera que não contasse com livros espalhados e festejados pela cidade — faz parte do calendário. Do nosso calendário de leitores — e do vosso calendário de editores e de autores. Já a vimos decorrer em abril e maio; apenas em maio; apenas em junho; mas sobretudo em maio e junho — e, por motivos pouco felizes (porque era a pandemia), entre agosto e setembro. Recordo esses meses de silêncio e de livrarias fechadas com um sentimento de tristeza e amargura, mas recordo também como foram felizes o dia da reabertura das livrarias, e o dia do regresso da feira do livro de Lisboa, a 27 de agosto desse ano de 2020".

Seguro finalizou o seu discurso, afirmando que a Feira é "uma prova dessa resistência. É por isso que aqui estamos. É também por isso que nos voltaremos a encontrar em setembro, em Belém, na Festa do Livro".

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