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As autoridades gregas continuam a investigar as circunstâncias da morte de Elisabeth-Jane Ross, uma voluntária escocesa de 38 anos, cujo corpo foi encontrado dentro de uma mala num edifício abandonado em Atenas, procurando agora perceber o que terá motivado o alegado homicídio, diz o The Guardian.
A investigação tem incidido sobretudo nas últimas horas de vida da vítima, que a polícia considera fundamentais para esclarecer a razão pela qual foi alvo do ataque.
No domingo, Sharif Ahmadzai, um cidadão afegão de 26 anos, foi acusado de homicídio doloso, após três dias de interrogatórios. O suspeito deverá comparecer perante um juiz de instrução na quarta-feira, para lhe serem formalmente comunicadas as acusações.
Segundo George Kalliakmanis, presidente honorário da associação de polícias de Atenas, a principal prioridade dos investigadores é agora apurar o motivo do crime, uma vez que Ahmadzai continua a negar qualquer responsabilidade pela morte de Ross, apesar de admitir que transportou e escondeu o corpo.
De acordo com Kalliakmanis, o suspeito confessou ter levado o cadáver até ao edifício onde foi encontrado, na noite de 16 de julho, e existem imagens de videovigilância que registam esses movimentos. Admitiu igualmente ter levantado 10 mil euros em caixas multibanco, com cartões bancários pertencentes à vítima, mas continua a negar a autoria do homicídio, versão em que a polícia não acredita.
As autoridades indicam que Ahmadzai chegou à Grécia através da ilha de Lesbos quando era criança, na condição de refugiado, durante o período de maior intensidade da crise migratória europeia, há cerca de dez anos. O suspeito, que compete como pugilista profissional na categoria de pesos leves, afirmou aos investigadores que encontrou Elisabeth-Jane Ross já sem vida num apartamento situado no primeiro andar de um prédio em Exarchia, bairro do centro de Atenas onde ajudava na gestão do edifício.
O homem tinha acesso ao apartamento através das chaves do imóvel, onde o grupo de solidariedade para refugiados Love Every Nation, do qual fazia parte, realizava regularmente encontros. Ahmadzai casou-se em 2023 com a norte-americana Alaina Hall, uma cristã praticante.
Os investigadores confirmaram que Elisabeth-Jane Ross, amiga de Hall e com experiência semelhante em trabalho voluntário e convicções religiosas, se mudou para esse apartamento a 10 de julho, depois de ter permanecido inicialmente em casa de amigos gregos. A voluntária tinha chegado a Atenas, proveniente de Edimburgo, a 26 de junho.
O último contacto telefónico efetuado a partir do telemóvel de Ross ocorreu na noite de 15 de julho. Três dias depois, o corpo seria encontrado por um sem-abrigo num edifício abandonado em Kypseli, situado a cerca de três quilómetros do apartamento onde estava alojada.
A polícia admite atualmente dois cenários para explicar os acontecimentos que antecederam a morte da voluntária. Um deles aponta para um confronto depois de Ross alegadamente surpreender Ahmadzai a remexer nos seus pertences e a roubar os seus cartões bancários. A outra hipótese em análise é a de uma agressão sexual ou de uma reação à rejeição de alegados avanços do suspeito.
Os exames preliminares realizados por peritos forenses indicam que Ross terá, muito provavelmente, morrido por asfixia. Contudo, a autópsia revelou-se inconclusiva devido ao avançado estado de decomposição do corpo e não foram detetados sinais evidentes de lesões externas. Novos testes toxicológicos e análises aos órgãos vitais deverão determinar a causa exata da morte nos próximos dias.
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