A depressão Cláudia provocou perturbações significativas sobretudo na região de Lisboa e no Algarve, com efeitos sentidos tanto na vida quotidiana como na segurança das populações. Em Lisboa, a redução notória do trânsito durante o período mais crítico revelou que muitos trabalhadores optaram por permanecer em casa, numa tentativa de evitar deslocações de risco. Marcelo Rebelo de Sousa, que falou sobre a situação à margem de um evento na Mesquita de Lisboa, considerou esta atitude um exemplo de responsabilidade cívica, sobretudo num contexto em que o país ainda carece de melhores mecanismos de prevenção perante fenómenos meteorológicos extremos.
O Presidente sublinhou que, apesar da prudência demonstrada pelas populações das zonas mais afetadas, o mau tempo resultou em três mortes (duas durante a semana e outra esta tarde), o que lamentou profundamente. Marcelo chamou novamente a atenção para a vulnerabilidade dos grupos mais fragilizados, recordando que as vítimas deste tipo de fenómenos costumam ser idosos ou pessoas com menos recursos, que dispõem de menores condições para se protegerem ou tomarem medidas preventivas.
No Algarve, esta tarde, onde alguns dos incidentes mais graves ocorreram, as autoridades atualizaram a informação sobre a vítima mortal inicialmente dada como desaparecida. Tratou-se de uma mulher britânica de 85 anos que se encontrava no parque de campismo de Albufeira, corrigindo assim dados anteriormente divulgados por vários órgãos de comunicação social que apontavam para uma vítima de 68 anos. Este parque de campismo e um empreendimento turístico na mesma zona foram os locais que concentraram o maior número de ocorrências.
O balanço final divulgado pelas autoridades inclui 26 feridos ligeiros,a maioria num hotel e alguns no parque de campismo, dois feridos graves e a única vítima mortal já identificada. As idades das pessoas afetadas variam entre os 6 e os 85 anos, envolvendo cidadãos portugueses, espanhóis e britânicos. Houve ainda dois desalojados no concelho de Silves, onde um outro fenómeno atmosférico causou danos e obrigou ao realojamento temporário.
Perante a questão da preparação nacional para este tipo de acontecimentos, Marcelo admitiu que o tema exige reflexão, mas salientou que a intensidade e a duração da depressão Cláudia ultrapassaram aquilo que seria expectável. Embora não tenha atingido todo o território, foi particularmente severa nos pontos onde se fez sentir, demonstrando a necessidade de reforçar a resiliência e a capacidade de resposta do país face a fenómenos meteorológicos cada vez mais frequentes e extremos. Ainda assim, o Presidente valorizou o comportamento responsável da população, que, segundo afirmou, contribuiu de forma significativa para reduzir os riscos e minimizar os danos.
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