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A morte de Henry Nowak, um jovem de 18 anos esfaqueado em Southampton, no sul de Inglaterra, tornou-se um símbolo utilizado por partidos e comentadores da extrema-direita em vários países para denunciar políticas migratórias e criticar as autoridades britânicas, revela o The Guardian.

O caso ganhou projeção internacional após a divulgação das imagens dos últimos minutos de vida de henry Nowak. Nos vídeos, o jovem surge algemado no chão, gravemente ferido após ter sido esfaqueado cinco vezes. O agressor, Vickrum Digwa, alegou inicialmente junto da polícia ter sido vítima de insultos racistas.

Vickrum Digwa, de 23 anos e cidadão britânico, foi condenado esta semana a prisão perpétua, com um período mínimo de 21 anos de cumprimento efetivo da pena.

Apesar dos pedidos da família de Henry Nowak para que a tragédia não fosse utilizada para fins políticos e para que a atenção se concentrasse na luta contra a violência com facas, várias figuras da extrema-direita internacional transformaram o caso num tema de mobilização política.

Na Polónia, Marta Czech, dirigente do partido de extrema-direita Confederação da Coroa Polaca, defendeu uma maior proteção dos cidadãos polacos "no país e no estrangeiro", enquanto a eurodeputada polaca Ewa Zajączkowska-Hernik responsabilizou a imigração em massa pelo crime.

Numa publicação nas redes sociais, a eurodeputada classificou o caso como um símbolo do alegado declínio do Reino Unido, questionando o impacto das políticas multiculturais e da correção política na segurança pública.

Também em França, o político de extrema-direita Éric Zemmour utilizou o caso para criticar aquilo que designou por "religião do antirracismo", argumentando que os autores de crimes de origem imigrante seriam protegidos pelas autoridades.

Em Espanha, o líder do partido Vox, Santiago Abascal, afirmou que "o povo britânico está consumido pela raiva" e acusou as elites políticas e os meios de comunicação social de ignorarem problemas relacionados com a imigração.

O caso foi igualmente destacado por plataformas nacionalistas japonesas, algumas das quais apresentaram o homicídio como uma prova do fracasso do multiculturalismo e da alegada prioridade dada pelas autoridades a questões raciais em detrimento da segurança pública.

No Reino Unido, o líder do partido Reform UK, Nigel Farage, voltou a acusar as forças policiais de praticarem uma alegada "polícia a duas velocidades", defendendo que a reação do público ao caso deveria ser de "raiva fria e pura".

As declarações motivaram uma resposta indireta do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que apelou à serenidade.

"Este é um momento para trabalho sério, não para a raiva", afirmou Keir Starmer na Câmara dos Comuns, acrescentando que "não existe qualquer justificação para mais violência ou desordem".

A polémica em torno do caso teve ainda consequências para uma antiga agente policial. Christi Hill, ex-membro da polícia britânica, viu-se obrigada a abandonar a sua residência temporariamente depois de ter sido falsamente identificada nas redes sociais como uma das agentes envolvidas na detenção de Henry Nowak.

Christi Hill acusou várias plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial de contribuírem para a disseminação de informações falsas sobre a sua identidade.

Entretanto, o gabinete do procurador-geral britânico confirmou ter recebido vários pedidos para reavaliar a sentença aplicada a Vickrum Digwa ao abrigo do mecanismo que permite rever penas consideradas excessivamente brandas.

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