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De acordo com o Jornal de Notícias, com recurso à Lusa, os protestos começaram depois de um vídeo da detenção ter sido amplamente difundido pelos meios de comunicação social italianos. A gravação mostra Abderrahim Fakir a pedir socorro repetidamente enquanto é imobilizado por dois polícias durante vários minutos, perante a presença de dois homens vestidos com um uniforme de socorrista.
A Polícia de Bolonha informou que imagens captadas pelas câmaras corporais dos agentes já foram entregues às autoridades e adiantou que os dois polícias foram ao local após moradores terem alertado para a presença de um homem “num estado de grande exaltação”.
"Não se pode morrer desta forma", disse Khadija Fakir, irmã da vítima, a meios de comunicação internacionais. “A polícia deve proteger-nos. Se uma pessoa está agitada, deve ser acalmada, não morta como um cão", afirmou.
O presidente da Câmara de Bolonha, Matteo Lepore, de centro-esquerda, apelou a que o caso seja “totalmente esclarecido”. Já Matteo Salvin, vice-primeiro-ministro e um dos rostos da extrema-direita italiana, e Galeazzo Bignami, líder parlamentar do partido Irmãos de Itália, manifestaram apoio aos dois agentes envolvidos.
Numa publicação na rede social X, a primeira-ministra, Giorgia Meloni, garante que o caso é “inaceitável” e pede que sejam “apuradas eventuais responsabilidades com o máximo rigor”. Apesar disto, considera que nada justifica a onda de violência contra a polícia. “Quem escolheu usar este caso como pretexto para pôr a cidade a ferro e fogo, agredir os agentes e semear a violência, colocando em risco também a integridade física de cidadãos completamente alheios aos distúrbios, não procurava a verdade: procurava o confronto”, escreveu Meloni.
Ilaria Cucchi, senadora da oposição que teve um irmão que morreu sob custódia da polícia em 2009 , disse sentir “repulsa” perante mensagens de solidariedade e de agradecimento aos polícias. Acusou ainda o governo de Giorgia Meloni de favorecer este género de comportamentos com "políticas inteiramente motivadas pelo ódio e pelo racismo".
A advogada Barbara Spinelli, que representou Abderrahim Fakir no ano passado durante um pedido de renovação de autorização de residência, definiu a vítima como “uma pessoa muito afável, instruída e respeitadora”.
O homem chegou a Itália com cinco anos de idade. Vivia e trabalhava legalmente no país, mas a advogada garante que o marroquino tinha medo de ser expulso. "Disse-lhe: Estamos em Itália, um país democrático. Aqui, a polícia respeita as regras”, afirmou Barbara Spinelli, recordando palavras que disse ao cliente no ano passado.
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