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Um oficial militar russo identificado como desertor ucraniano morreu na quinta-feira num atentado à bomba na Crimeia, território anexado pela Rússia, diz o The Guardian. Robert Shageyev foi descrito em canais russos do Telegram como um antigo oficial da Marinha ucraniana que passou para o lado russo durante a anexação da Crimeia, em 2014. Na altura, comandava o Zaporizhzhia, o único submarino da Ucrânia.
O site ucraniano Myrotvorets, que mantém uma base de dados de pessoas identificadas como criminosos de guerra ou traidores, afirmou que Shageyev tinha sido "eliminado".
O ataque ocorreu em Sebastopol, a maior cidade da Crimeia anexada pela Rússia. O governador regional, Mikhail Razvozhayev, afirmou que uma mulher foi detida por suspeita de ter assassinado Shageyev a mando dos serviços especiais ucranianos. A agência estatal russa TASS, citando o serviço de segurança FSB, indicou que a mulher detida é cidadã russa. A Ucrânia não tinha feito, até então, qualquer comentário sobre o caso.
Separadamente, Razvozhayev informou que quatro especialistas russos em explosivos e um segurança morreram em Sebastopol enquanto tentavam eliminar um engenho explosivo.
Dois mortos num ataque a comboio de passageiros
Na Ucrânia, um ataque com um drone russo contra um comboio de passageiros matou duas pessoas, segundo autoridades ucranianas. O Presidente Volodymyr Zelenskyyafirmou que um drone com motor a jato atingiu a locomotiva de um comboio na região de Odessa, que transportava 340 pessoas.
Segundo as autoridades, as vítimas mortais eram o maquinista e o seu ajudante. Zelensky afirmou que quem operava o drone não poderia desconhecer que o alvo era exclusivamente civil.
Refinaria russa encerra após ataque com drones
Uma refinaria de petróleo na cidade russa de Orsk, atingida por drones ucranianos, foi obrigada a suspender totalmente a atividade, de acordo com o governador da região de Orenburg, Yevgeny Solntsev.
O ataque provocou danos em infraestruturas consideradas essenciais e que, neste momento, não podem ser reparadas. Segundo Solntsev, o equipamento necessário é importado e as sanções poderão fazer com que as reparações demorem até seis meses.
O Exército ucraniano tinha afirmado na terça-feira que tinha atacado a refinaria de Orsk, situada perto da fronteira com o Cazaquistão, a cerca de 1470 quilómetros a sudeste de Moscovo.
Também uma das maiores refinarias da Rússia, a Gazprom Neftekhim Salavat, no Bascortostão, foi atingida por drones ucranianos. A instalação fica a cerca de 1300 quilómetros da fronteira ucraniana, a sudeste de Moscovo. A empresa russa Wildberries afirmou que o ataque provocou também um incêndio numa das suas instalações.
Ucrânia propõe acordo para proteger navios civis
A Ucrânia propôs à Rússia um acordo para que ambos os lados suspendam os ataques contra navios civis no Mar Negro, numa tentativa de reabrir um importante corredor para o transporte de cereais, segundo informação da Reuters citada pelo The Guardian.
A proposta terá sido apresentada por Kiev através de um terceiro país, mas Moscovo ainda não tinha respondido na quinta-feira. Desde julho, ataques ucranianos terão praticamente encerrado a rota para o transporte comercial russo, atingindo cerca de 220 embarcações no Mar de Azov e no Mar Negro, incluindo petroleiros, navios de transporte de cereais e ferries de passageiros.
Na quinta-feira, a Rússia atacou o porto ucraniano de Izmail, na região de Odessa, perto da fronteira com a Roménia.
Troca de corpos entre Rússia e Ucrânia
Rússia e Ucrânia trocaram também, na quinta-feira, corpos de militares mortos. A Ucrânia já tinha acusado a Rússia de entregar restos mortais de civis e de soldados russos, alimentando suspeitas de que Moscovo manipula as trocas para criar a perceção de que morreram mais ucranianos do que russos.
A agência ucraniana responsável pelos prisioneiros de guerra afirmou que foram devolvidos à Ucrânia os corpos de 261 pessoas que, segundo o lado russo, pertenciam a militares ucranianos. Citando um deputado russo, o meio de comunicação RBC afirmou que Moscovo entregou 261 corpos e a Ucrânia transferiu 24.
Kiev contesta eleições russas em territórios ocupados
A Ucrânia condenou ainda a realização de eleições parlamentares russas no próximo mês em territórios ocupados. A posição do Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano coincidiu com o início de uma missão de observadores provenientes de antigos Estados soviéticos para acompanhar o processo eleitoral.
Kiev afirmou que a presença desses observadores não altera a sua posição e considera ilegal qualquer votação organizada pela Rússia em território soberano ucraniano, defendendo que os respetivos resultados não têm validade nem consequências jurídicas.
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