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O Palácio Real de Oslo anunciou que o monarca morreu pacificamente às 06h35 locais (04h35 em Lisboa), no hospital nacional da capital norueguesa. A bandeira real foi colocada a meia haste.

Nas 24 horas que antecederam a morte, vários membros da família real visitaram o rei, enquanto populares deixaram flores junto ao palácio. Harald V, que esteve 35 anos no trono, será sucedido pelo filho, Haakon.

Nascido a 21 de fevereiro de 1937, Harald foi o primeiro rei norueguês nascido no país desde o século XIV. Tinha três anos quando a Alemanha nazi invadiu a Noruega, durante a Segunda Guerra Mundial. A mãe fugiu com os filhos para a Suécia e, posteriormente, a família viajou para os Estados Unidos a convite do Presidente Franklin D. Roosevelt.

De regresso à Noruega no final da guerra, Harald completou os estudos e o serviço militar obrigatório. Tornou-se príncipe herdeiro em 1957 e, entre 1960 e 1962, estudou Ciências Sociais, História e Economia no Balliol College, em Oxford.

Durante o reinado, a monarquia norueguesa tornou-se mais igualitária e transparente, nomeadamente em matérias relacionadas com as finanças e a saúde da família real, segundo especialistas citados pela BBC. Harald ficou também conhecido por quebrar tradições da instituição ao casar com uma mulher sem origem aristocrática.

O rei conheceu Sonja Haraldsen, filha de um empresário, numa festa. O casal teve de esperar nove anos até receber autorização para casar, uma vez que o pai de Harald, o rei Olav V, preferia que o filho casasse com uma princesa europeia. Harald acabou por dizer ao pai que, se não pudesse casar com Sonja, permaneceria solteiro. O casamento realizou-se na Catedral de Oslo, a 29 de agosto de 1968.

A decisão abriu caminho para que também os dois filhos do casal casassem com pessoas sem origem real. Harald ficou ainda conhecido pela forma aberta como demonstrava emoções, humor e vulnerabilidade, características que contribuíram para a imagem de proximidade que manteve junto dos noruegueses.

O monarca assumiu o trono a 17 de janeiro de 1991, após a morte do pai. Segundo o historiador Trond Norén Isaksen, foi sobretudo a partir de 2000 que Harald se tornou uma figura mais aberta e empática, afastando-se da imagem de homem reservado e tímido que tinha anteriormente.

Um dos momentos mais marcantes do seu reinado aconteceu em julho de 2011, após os ataques de Oslo e da ilha de Utoya, perpetrados pelo neonazi Anders Breivik. O atentado com um carro armadilhado em Oslo matou oito pessoas e, posteriormente, Breivik matou outras 69 pessoas, a maioria adolescentes, num acampamento de jovens em Utoya.

No dia seguinte, Harald dirigiu-se aos noruegueses através de uma mensagem televisiva. Semanas depois, num discurso emocionado, manifestou solidariedade às vítimas e às famílias, apelando à união e para que o medo não se sobrepusesse à sociedade.

Em 2016, voltou a destacar-se por um discurso em defesa da diversidade religiosa, étnica e sexual. O rei afirmou então que os noruegueses tinham origens diversas e diferentes crenças, incluindo pessoas que acreditavam em Deus, Alá, no Universo ou em nada.

Harald era também um desportista e ambientalista. Foi um dos impulsionadores da filial norueguesa do World Wide Fund for Nature (WWF), organização da qual foi presidente durante 20 anos. Como velejador, representou a Noruega em três edições dos Jogos Olímpicos. Em 2022, anunciou o fim da sua participação em competições de vela.

A saúde do rei deteriorou-se nos últimos anos e, em abril de 2024, reduziu permanentemente a sua agenda pública. Mais recentemente, estava a ser tratado com cortisona devido a uma anemia hemolítica, uma doença rara que provoca uma redução do número de glóbulos vermelhos no organismo. Foi internado a 17 de agosto, altura em que o filho assumiu as funções de regente.

A morte de Harald acontece depois de um período particularmente difícil para a família real norueguesa, marcado por problemas de saúde e várias polémicas. Entre elas está o caso de Marius Borg Hoiby, filho de Mette-Marit, mulher do príncipe Haakon, condenado em junho por vários crimes, incluindo violação, e sentenciado a quatro anos de prisão. Hoiby recorreu da sentença e esteve junto da cabeceira de Harald pouco antes da morte do rei.

A própria Mette-Marit esteve também no centro de uma polémica devido à relação que manteve durante três anos com Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e entretanto falecido. Documentos sobre os contactos entre ambos foram divulgados dias antes do início do julgamento do filho. Mette-Marit pediu posteriormente desculpa a Harald e à rainha Sonja e admitiu ter tido "mau julgamento".

Dois dias depois do fim do julgamento de Hoiby, Mette-Marit foi submetida a um transplante pulmonar. Tinha sido diagnosticada oito anos antes com uma forma rara de fibrose pulmonar.

As polémicas contribuíram para uma quebra no apoio à monarquia. Uma sondagem citada pelo jornal Aftenposten indica que o apoio caiu de 72% em 2024 para 54%. Ainda assim, os especialistas ouvidos pela BBC consideram que a contestação raramente foi dirigida pessoalmente a Harald.

O rei deixa a mulher, a rainha Sonja, com quem estava casado há quase 58 anos, a filha, a princesa Märtha Louise, o filho e novo rei, Haakon, e seis netos.

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