Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt
Em 2025 comemora-se o 46º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas oficiais entre o Estado português e o Estado chinês, e esta visita de Luís Montenegro surge também num momento em que o investimento chinês em Portugal aumentou 34% de 2022 para 2023 e que “ao longo dos últimos 20 anos, ultrapassaram os 3.600 milhões de euros”. Em 2024, aliás, o nosso país atraiu um investimento recorde da China, consolidado com mais um importante projeto, este último em Sines, no valor de dois mil milhões de euros.
Apesar do forte investimento chinês em Portugal, sendo atualmente o sexto maior investidor em Portugal, Luís Montenegro pretende também que as empresas nacionais marquem mais presença neste país asiático, pretendendo, como o próprio o disse, um maior equilíbrio na balança comercial entre os dois países. O 24notícias foi tentar perceber como este equilíbrio pode ser possível.
"Atualmente, Macau representa mais de 90% do investimento direto português na China. Pela ligação de Portugal a Macau percebem-se estes números, mas é algo que tem de ser mudado, Portugal tem de passar a fronteira de Macau, tem de investir diretamente na China e mesmo em Hong-Kong", começa por dizer ao 24notícias o economista José Moreira, dando exemplos do que pode ser feito em termos de investimentos.
"É importante a diversificação dos investimentos, dando prioridade a relações científicas, tecnológicas e culturais na China. Por exemplo, Portugal deve apostar em que as suas universidades tenham programas conjuntos com as chinesas. Isto é algo que algumas potências como a Alemanha e a França têm feito nos últimos anos. Têm apostado em cursos de mandarim, parece tão simples, mas é mesmo muito importante para que outras parcerias sejam possíveis no futuro, conhecer a cultura de onde se quer investir é fundamental. A língua é também ela uma aposta económica. Depois vejo também muita capacidade para as nossas empresas entrarem na China com parcerias científicas, é algo ainda pouco explorado por parte das empresas europeias naquele país e Portugal tem fundamento e crédito científico para conseguir vingar neste setor na China. Seria, assim, muito interessante uma promoção de programas com universidades chinesas e uma aposta científica naquele país", diz José Moreira, salientando, contudo, que o tal equilíbrio que Luís Montenegro deseja seja muito difícil de alcançar nos próximos anos.
"É praticamente impossível que isso aconteça. Como mostram os números das últimas décadas, a aposta chinesa em Portugal cresce ano após ano e em muitos mil milhões de euros. A China tem também fortes investidores no seu país, mercados melhores preparados que o português para investimentos de grande envergadura. Acredito que a tal balança possa ficar mais equilibrada, e é uma ideia ajustada, mas aproximar-se será muito complicado nos próximos anos", refere.
Se este economista aposta no mandarim e na ciência, há quem olhe para outros setores como possíveis alvos nacionais, concretamente o agroalimentar e o mundo do vinho. "Portugal está no 13º lugar em termos de exportações do setor agrolimentar, mas há um caminho que pode ser diferente e mais bem feito. Há falta de presença nas principais feiras deste setor, são poucas as empresas que se inscrevem, mas as que se inscrevem conseguem entrar. Isso é sinal que podemos crescer ainda mais na china neste ramo", diz o economista Fernando Pardal, destacando também o trabalho que o setor dos vinhos portugueses está a fazer na China.
"Somos os sextos em termos de exportação de vinhos para a China. E mais interessante também neste setor é o facto de muitos empresários chineses estarem a comprar quintas em Portugal, para exportarem o vinho para o seu país. Este é um trabalho que está a ser muito bem feito, o setor agroalimentar poderá fazer o mesmo, pois há caminho e meios para que cresça, como os vinhos o têm feito nos últimos anos", afirma, apostando também ele na ciência, mais concretamente na Inteligência Artificial (IA).
"Portugal tem se comportado muito bem a levar além-fronteiras o seu know how em matéria científica e concretamente no que diz respeito à IA. São muitos também os estrangeiros que vêm para o nosso país para aprenderem com os nossos e a China é um mercado super aberto a este tipo de ensinamentos, pois querem estar sempre na vanguarda. Seria uma aposta com resultados praticamente imediatos", conclui.
Os grandes investimentos chineses em Portugal
Foi no auge da crise financeira em Portugal, entre 2011 e 2014, que se iniciou a aposta chinesa no nosso país. O primeiro grande investimento surgiu logo em 2011, com um investimento superior a 2,6 mil milhões de euros da China Three Gorges na aquisição de 21,35% da EDP.
No ano seguinte, nova aposta no setor energético nacional, com a State Grid a investir quase 300 milhões de euros para comprar 25% do capital da REN.
Dois anos volvidos, em 2014, foi a fez do grupo Fosun entrar no capital da Fidelidade, através da aquisição de 80% do grupo segurador português, num investimento superior a 1,1 mil milhões de euros.
Estes tinham sido os três maiores investimentos chineses no nosso país até que já este se soube que o grupo chinês CALB vai avançar com um projeto de 2 mil milhões de euros, para produzir baterias elétricas para a indústria automóvel em Sines.
Comentários