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“O que é desejável é que os países da União Europeia (UE) e os países da NATO contribuam para que este conflito possa terminar, para que se retomem as negociações e para que a situação se resolva pela via diplomática”, afirmou Luís Montenegro em declarações aos jornalistas à entrada para a cimeira do Conselho Europeu, em Bruxelas.
O primeiro-ministro defendeu que tudo o que a UE e a NATO puderem fazer para desescalar a situação no Irão “deve ser feito”, pedindo que isso seja feito de “forma coesa” entre os Estados-membros.
“A minha expectativa é que essa mensagem possa ser percecionada por todos e que o contributo que nós possamos dar possa ser positivo”, referiu.
O PM também revelou que Portugal está a usar a “diplomacia para sensibilizar as partes envolvidas” no conflito no Médio Oriente.
“Quero reforçar um aspeto que tem que ver com a nossa intervenção (…) nos contactos com todos os países alvos de ataques por parte do Irão. Também já tivemos contactos com os representantes diplomáticos do próprio Irão e com os EUA. Temos utilizado a nossa diplomacia para sensibilizar todas as partes envolvidas no sentido de estabelecer uma plataforma que possa, muito rapidamente, dar abertura ao reinício dos trabalhos de negociação”, disse Luís Montenegro.
O líder do Governo lembrou a “importância” do apoio à Ucrânia, que continua a ser “um ponto prioritário” dos países europeus. “É um sinal de unidade, (…) será também um sinal de credibilidade se conseguirmos desbloquear o apoio financeiro que decidimos no último conselho”.
“Este conselho poderá marcar um ponto de viragem na capacidade de sermos mais rápidos a executar aquilo que tem vindo a ser [discutido] ao longo dos últimos tempo”, referiu, destacando a presença do Presidente da Ucrânia e do Secretário-Geral das Nações Unidas como “reafirmação do princípio do multilateralismo (…) que está em causa um pouco por todo o mundo” com as várias guerras.
O Conselho Europeu, hoje reunido em Bruxelas, vai discutir como é que a UE pode conter os impactos da escalada militar no Médio Oriente dados os elevados preços da energia, garantindo também segurança no abastecimento energético.
Será o primeiro encontro presencial de alto nível desde o início dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irão e da consequente resposta iraniana, no final de fevereiro, e os chefes de Estado e de Governo dos 27 da UE vão centrar o debate na questão energética. Portugal estará representado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro. O arranque da reunião está previsto para as 9h00 de Portugal continental, 10h00, em Bruxelas.
A escalada do conflito no Médio Oriente, região crucial para o fornecimento global de combustíveis fósseis, está a provocar uma subida acentuada dos preços do petróleo e do gás e a afetar a economia europeia, com impacto direto nas famílias e no poder de compra dos consumidores.
É neste contexto — já descrito pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, como “dramático e desafiante” — que os líderes da UE vão discutir medidas para mitigar os impactos imediatos e acelerar a transição energética.
Entre as opções em discussão na UE estão a redução de impostos e encargos nas faturas de energia, a criação de apoios aos consumidores mais vulneráveis e às indústrias intensivas e, a longo prazo, a alteração do mercado europeu de carbono para limitar a volatilidade dos preços e apoiar a descarbonização industrial.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, foi convidado para um almoço de trabalho sobre a deterioração da situação internacional e a forma como a UE e os seus parceiros podem trabalhar em conjunto para defender o multilateralismo.
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