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A declaração surgiu durante o debate sobre a reforma laboral, onde o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, pediu ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, que não continue a usar o lema do Governo de que está a "transformar Portugal", afirmando que o país "está cada vez pior".

O líder socialista comparou os atuais resultados económicos com os alcançados por anteriores governos do PS, lembrando que houve períodos de crescimento de 3%. Em contraste, criticou o executivo por "deitar fogo-de-artifício" com um crescimento de 1,9%.

Carneiro questionou ainda Montenegro sobre a possibilidade de o Governo estar a negociar com o líder do Chega, André Ventura, uma eventual descida da idade da reforma, depois de declarações do dirigente partidário sobre o tema.

Também Mariana Leitão, líder da Iniciativa Liberal (IL), criticou a atuação do Governo nas negociações da reforma laboral, acusando o executivo de não colocar os jovens no centro das decisões.

A dirigente liberal afirmou que o processo acabou entregue às centrais sindicais, que, segundo disse, "representam uma ínfima minoria dos trabalhadores" e estão "capturadas pelos partidos". Para Leitão, o Governo está a entregar "aos interesses instalados o futuro dos nossos jovens".

Em resposta, Montenegro defendeu a importância da concertação social e afirmou que o Parlamento terá agora um papel relevante na discussão das alterações laborais. O primeiro-ministro desafiou ainda a IL a participar no debate sem "estigmas e posições fechadas".

Sobre a idade da reforma, Montenegro esclareceu que o Governo não defende uma redução da idade de acesso à pensão sem uma avaliação da sustentabilidade da Segurança Social. O chefe do executivo afirmou que essa questão deve ser analisada em conjunto com outras medidas e destacou iniciativas do Governo relacionadas com habitação, impostos e apoio aos jovens.

A líder da IL voltou a insistir no tema, alertando que uma redução da idade da reforma sem reformas estruturais poderia prejudicar as gerações mais novas. Mariana Leitão apontou dificuldades no acesso à habitação, salários baixos e as projeções futuras das pensões como problemas que afetam os jovens.

O debate contou também com a intervenção do líder do Livre, Rui Tavares, que questionou o primeiro-ministro sobre medidas como a ligação entre salários e produtividade, o regresso dos 25 dias de férias e a participação dos trabalhadores nas administrações das empresas.

Montenegro respondeu estar disponível para negociar e propôs um entendimento parlamentar: caso o Livre apoie ou se abstenha na reforma laboral do Governo, o PSD fará o mesmo relativamente às propostas do Livre sobre o Código do Trabalho.

Já o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, acusou o executivo de promover uma política contra os trabalhadores e criticou a aproximação entre PSD e Chega, afirmando que André Ventura procura ocupar um espaço de contestação social.

Em resposta, Luís Montenegro afirmou não saber qual será a posição futura de Ventura, mas criticou algumas das propostas apresentadas pelo líder do partido.

"O que nos une é acharem que é possível fazer tudo e dar tudo a todos ao mesmo tempo. Não é, lamento", afirmou o primeiro-ministro, referindo-se às propostas que considera difíceis de concretizar financeiramente.

Montenegro chegou mesmo a dizer que André Ventura tem ultrapassado o PCP pela esquerda em várias ocasiões. "É o mais socialista dos deputados do Chega, mas às vezes até tem um travo comunista", afirmou.

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