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Tanto Luís Montenegro como o líder parlamentar social-democrata, Hugo Soares, atribuíram ao Chega a responsabilidade pelo falhanço do acordo, acusando o partido de querer pôr em causa a sustentabilidade da Segurança Social ao insistir na descida da idade da reforma como condição para aprovar a proposta do Governo.
O desfecho contrastou com o cenário traçado na quinta-feira, quando Hugo Soares deu como garantida a aprovação do diploma na generalidade, numa leitura que foi então acompanhada pelo presidente do Chega, André Ventura, que antecipava ganhos para os trabalhadores em matérias defendidas pelo partido. Na sexta-feira, porém, o Chega votou contra, juntando-se à esquerda e inviabilizando a iniciativa.
Este volte-face poderá marcar o tom do Congresso, inicialmente preparado sem polémicas relevantes. Luís Montenegro remeteu uma análise política mais aprofundada para a intervenção que fará na reunião magna do partido, num contexto em que o Governo enfrenta um revés parlamentar significativo.
Em Bruxelas, o primeiro-ministro assegurou que o Executivo “não vai desistir” de criar condições para tornar o país “competitivo e produtivo” e reiterou a sua “confiança absoluta” na ministra do Trabalho, afastando a ideia de um recuo na agenda governativa.
Nos últimos dias, quer Luís Montenegro quer Hugo Soares tinham apontado ao PS a responsabilidade pela opção de procurar entendimentos com o Chega em matérias como a lei laboral ou a Prestação Social Única, classificando o partido liderado por José Luís Carneiro como uma “força de bloqueio à governação”. Após o chumbo do pacote laboral, é expectável que PS e Chega sejam alvo de críticas convergentes durante o Congresso.
Os trabalhos decorrem no Velódromo Nacional de Sangalhos e arrancam às 10h00, com a apresentação da moção de estratégia global com que Luís Montenegro foi reeleito presidente do PSD, em 30 de maio, com 95% dos votos e sem oposição, para um terceiro mandato de dois anos.
Intitulada “Trabalhar – Fazer Portugal Maior”, a moção será votada ao final do dia e reafirma o compromisso de não formar soluções de governo nem com o Chega nem com o PS, embora rejeite a ideia de “cercas sanitárias” no Parlamento. Segue-se a apresentação das 18 propostas temáticas das estruturas do partido, distritais e eurodeputados.
O prazo para entrega das candidaturas aos órgãos nacionais termina às 18:00 e a votação da moção de estratégia global e das propostas temáticas está marcada para as 23h00. São esperadas alterações na Comissão Política Nacional, com eventual redução do peso de membros do Governo e reforço de autarcas.
Confirmada está uma lista alternativa ao Conselho Nacional, encabeçada por André Pardal, que agrega sensibilidades internas e se assume como “consciência crítica” do partido, integrando, entre outros, Ricardo Sousa e a antiga deputada Joana Barata Lopes.
Segundo a direção do PSD, estão inscritos no Congresso 906 delegados e 297 participantes, além de cerca de 700 observadores.
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