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“Nós temos a capacidade de resposta no SNS muita diminuída” por causa dos chamados internamentos inapropriados, afirmou Ana Paula Martins, aos deputados da comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão.
A ministra foi ouvida no âmbito da apreciação, na especialidade, do projeto de lei do PS que cria o programa “Voltar a Casa”, para dar resposta às pessoas que se encontram nos hospitais com alta clínica, mas que continuam a aguardar vaga em respostas sociais.
Este diploma da bancada socialista foi aprovado, na generalidade, no final de fevereiro.
Estes casos têm um “impacto muito significativo no SNS”, salientou a governante, para quem as pessoas com alta clínica não devem permanecer nos hospitais, em primeiro lugar, pela sua própria segurança e por uma questão de humanização e dignidade, mas também por “ser insustentável” do ponto de vista financeiro.
“Uma diária de uma cama de hospital é muito mais dispendiosa do que uma diária em qualquer das respostas sociais ou da rede de cuidados continuados integrados”, realçou a ministra da Saúde.
No início deste ano, cerca de 2.800 utentes com alta clínica continuavam internados nos hospitais públicos, à espera de uma resposta social ou de vaga em cuidados continuados, segundo dados da Direção Executiva do SNS.
Nessa altura, o Governo anunciou a criação de 400 vagas de internamento social em novas unidades intermédias, contratualizadas com entidades do setor social e solidário, destinadas a pessoas com alta clínica que ainda não podem ser encaminhadas para respostas permanentes de cuidados continuados.
Aos deputados, a ministra reafirmou esta quinta-feira que estão identificadas estas 400 camas, mas a funcionar só estarão, dentro de semanas, as primeiras 100.
“Existe a expectativa, porque essas unidades intermédias são um pouco melhor financiadas, de poder ter, até final do ano e com algum esforço, até 800 camas”, referiu Ana Paula Martins.
Relativamente ao diploma da bancada do socialista, Ana Paula Martins reconheceu a importância do “impulso de trazer o tema” ao parlamento, mas considerou que apresenta alguns aspetos “imperfeitos”.
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