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Milhões de norte-americanos saíram às ruas este sábado, em todos os 50 estados, para protestar contra a administração Trump, numa demonstração nacional conhecida como “No Kings” (Sem Reis). O movimento, que já tinha mobilizado milhões em junho, acusa o presidente de conduzir o país para o autoritarismo e reafirma que “os Estados Unidos não têm reis”.

Os protestos, acompanhados por música, cartazes e trajes infláveis, sobretudo sapos, símbolo de resistência nascido em Portland (Oregon), reuniram pessoas em cidades grandes e pequenas. Em Chicago, cerca de 100 mil manifestantes concentraram-se no Grant Park, empunhando cartazes como “Resist Fascism” e “Hands Off Chicago”. O presidente da câmara, Brandon Johnson, afirmou que Trump “quer um novo confronto da Guerra Civil” e prometeu: “Não vamos ceder nem permitir tropas na nossa cidade.”

Em Washington DC, mais de 200 mil pessoas marcharam junto ao Capitólio. Em Los Angeles, Ginny Eschbach, de 72 anos, participou no seu 42.º protesto desde a posse de Trump, vestida de SpongeBob. Disse estar preocupada com o ataque à liberdade de expressão e garantiu que os manifestantes “são sérios, mas não violentos”.

Também em Atlanta, 10 mil pessoas reuniram-se antes de marchar até ao parlamento estadual. O senador Raphael Warnock avisou que “todos os cidadãos devem estar profundamente preocupados” com a presença crescente de forças federais em várias cidades.

Em Portland, a marcha principal foi pacífica, mas junto a um centro de detenção do ICE (Serviços de Imigração e Controlo Aduaneiro) registaram-se confrontos, com agentes federais a lançar gás lacrimogéneo sobre manifestantes. Em Santa Fe, participantes disfarçados de unicórnios, galinhas e lagostas sublinharam “o absurdo de tudo isto”.

A coligação No Kings reúne mais de 200 organizações e sublinha o seu compromisso com a resistência pacífica. Lisa Gilbert, copresidente do grupo Public Citizen, afirmou: “O presidente quer que tenhamos medo, mas não vamos ser silenciados.” Entre as cidades-âncora estavam Washington DC, Nova Iorque, São Francisco, Houston, Atlanta, Boston e Honolulu.

Trump, por sua vez, reagiu na Fox News: “Dizem que me chamam rei. Eu não sou um rei.” O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, classificou as manifestações como “um comício de ódio à América”, ao que Bernie Sanders respondeu: “Estamos aqui não porque odiamos a América, mas porque a amamos.”

Os organizadores acusam Trump de usar dinheiro público para consolidar poder, enviar forças federais para ocupar cidades, tentar criminalizar a dissidência, e até sugerir um terceiro mandato, comportando-se “como um monarca”.

O Partido Socialista da Igualdade, num comunicado de 15 de outubro, alertou que “a raiva não basta para travar a ditadura”, pedindo um programa político concreto. Já a organização Public Citizen afirmou que as manifestações pretendem “mostrar que milhões de americanos nunca se ajoelharão perante um rei”.

As marchas de junho mobilizaram entre 2 e 4,8 milhões de pessoas em mais de 2.000 locais, segundo o Harvard Crowd Counting Consortium, o que fez dessa jornada uma das maiores manifestações desde a Marcha das Mulheres de 2017.

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