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Segundo o The Guardian, as autoridades italianas estão a investigar vários funcionários da empresa de transportes públicos de Milão (ATM) por alegada utilização indevida do sistema de videovigilância dos elétricos para obter imagens de passageiras, que depois seriam partilhadas num grupo privado de WhatsApp.

A investigação levou à suspensão de vários motoristas e à constituição de pelo menos um funcionário como arguido por suspeitas de acesso não autorizado a sistemas informáticos e manipulação do sistema de câmaras de segurança.

Segundo a imprensa italiana, foram ainda realizadas buscas domiciliárias a cinco outros trabalhadores e apreendidos telemóveis e dispositivos eletrónicos que poderão conter elementos relevantes para o processo.

De acordo com as suspeitas, os participantes do grupo trocavam fotografias retiradas das câmaras de videovigilância dos elétricos, destacando partes do corpo de passageiras, como pernas, rosto, peito e coxas, acompanhadas por comentários considerados sexistas e depreciativos.

O caso veio a público depois de uma passageira ter reparado, no passado sábado, que um motorista fora de serviço, mas ainda fardado, consultava no telemóvel uma conversa de WhatsApp que continha alegadamente essas imagens e comentários.

Ao aperceber-se de que as fotografias tinham sido obtidas através do sistema de videovigilância instalado nos elétricos para fins de segurança, a mulher fotografou o ecrã do telemóvel e enviou a imagem a uma conhecida ativista feminista italiana, que denunciou a situação à empresa de transportes.

A ATM abriu um inquérito interno e garantiu estar a colaborar com as autoridades para apurar os factos.

"Agimos prontamente e com a máxima atenção para esclarecer totalmente o episódio, verificar a utilização correta das ferramentas da empresa, proteger os clientes e os milhares de trabalhadores que desempenham diariamente as suas funções de forma adequada", referiu a empresa em comunicado.

Ainda não é claro se as imagens foram obtidas a partir de um único elétrico ou de vários veículos da rede de transportes de Milão, nem se foram divulgadas para além do grupo de mensagens.

A associação italiana de defesa dos consumidores Codacons apresentou uma queixa formal junto do Ministério Público de Milão. O responsável regional da organização, Marco Maria Donzelli, classificou o caso como "muito grave" e alertou que, caso os factos sejam confirmados, poderão estar em causa crimes puníveis pela legislação italiana, além de eventuais pedidos de indemnização por parte das vítimas.

Também os principais sindicatos do setor dos transportes condenaram o alegado comportamento dos trabalhadores envolvidos, sublinhando que "o respeito pela dignidade humana e pela igualdade de género são valores essenciais".

O caso reacendeu o debate sobre a misoginia online em Itália, um tema que tem gerado controvérsia nos últimos anos. Em 2024, a divulgação de imagens manipuladas de figuras públicas em sites pornográficos provocou forte indignação no país, incluindo da primeira-ministra, Giorgia Meloni, que criticou recentemente a circulação de imagens falsas criadas com recurso a inteligência artificial.

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