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Segundo a Randstad, 49,8% dos desempregados registados — cerca de 149 mil pessoas — não concluiu o ensino secundário. Neste grupo estão incluídos trabalhadores sem qualquer nível de instrução formal ou apenas com o 3.º ciclo do ensino básico, o que, de acordo com a empresa de recursos humanos, limita as oportunidades de integração em funções mais qualificadas e estáveis.
A disparidade torna-se mais evidente quando se observam as tendências recentes: enquanto o número de licenciados desempregados caiu 4,2% em novembro face ao mês anterior, todos os escalões de escolaridade mais baixos registaram um aumento. Esta realidade, sublinha a análise, contribui para a persistência do desemprego de longa duração, que já afeta mais de 113 mil pessoas, representando quase 38% do total de inscritos.
“Novembro confirma a resiliência do mercado de trabalho, com um novo recorde histórico no emprego. Mas há uma preocupação central: metade dos desempregados não concluiu o ensino secundário”, afirma Isabel Roseiro, diretora de Marketing da Randstad Portugal. Para a responsável, este desajuste entre as competências disponíveis e as exigidas pelas empresas “trava a capacidade de reconversão profissional” e torna urgente o reforço de políticas públicas de qualificação.
Emprego em máximos históricos
O retrato do desemprego contrasta com o momento particularmente dinâmico do mercado de trabalho. Em novembro, o número de pessoas empregadas ultrapassou pela primeira vez a fasquia dos 5,3 milhões, atingindo os 5.306.100 trabalhadores. Em apenas um mês, foram criados mais 21.500 postos de trabalho, e em termos homólogos o aumento foi de quase 196 mil pessoas.
A taxa de desemprego fixou-se nos 5,7%, o valor mais baixo do ano, refletindo a criação de emprego superior à redução do número de desempregados. A população ativa também cresceu, superando os 5,6 milhões de pessoas.
A descida do desemprego foi especialmente expressiva entre os adultos dos 25 aos 74 anos, mas seguiu tendência oposta entre os mais jovens: o desemprego entre os 16 e os 24 anos aumentou 2% face a outubro, embora em termos anuais continue a apresentar uma redução significativa.
Algarve penalizado pelo fim da época turística
Os dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional mostram que o número de desempregados inscritos subiu 0,6% em novembro, para 299.452 pessoas. Esta subida foi fortemente influenciada pelo Algarve, onde o desemprego disparou quase 59% num único mês, refletindo o encerramento da época turística.
Em sentido inverso, o Norte e o Centro do país registaram quedas no desemprego, mantendo-se o Norte como a região com maior número de inscritos, seguido de Lisboa.
Já ao nível salarial, os dados mais recentes da Segurança Social indicam que a remuneração média mensal declarada atingiu os 1.503,72 euros em outubro, mais 4,5% do que no mesmo mês de 2024. Lisboa continua a liderar os salários médios, enquanto Beja apresenta os valores mais baixos.
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