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Durante um encontro de católicos alemães em Würzburg, Merz, segundo o Politico, disse “não recomendaria hoje aos meus filhos que fossem para os EUA tirar um curso ou trabalhar”, comentário que recebeu aplausos da audiência. Segundo o chanceler, o ambiente social nos EUA tornou-se preocupante e até as pessoas mais qualificadas têm dificuldades em encontrar emprego.
Apesar das críticas, Merz sublinhou que continua a admirar os Estados Unidos, embora tenha acrescentado, em tom irónico, que “neste momento a admiração não está a aumentar”. As declarações refletem o agravamento das tensões entre Berlim e Washington nas últimas semanas, marcado por trocas públicas de críticas entre Merz e o presidente norte-americano, Donald Trump.
Merz, que anteriormente liderou a organização pró-atlântica Atlantik-Brücke, já tinha acusado Trump de ter sido “humilhado” pelo Irão e de não ter uma estratégia clara para a guerra iniciada após ataques conjuntos dos EUA e de Israel a alvos iranianos.
Poucos dias depois dessas declarações, o Pentágono anunciou a retirada de cinco mil militares norte-americanos da Alemanha, cumprindo uma ameaça anterior de Trump.
Ainda assim, Merz revelou esta sexta-feira ter tido uma “boa conversa telefónica” com Trump, sublinhando que Alemanha e EUA continuam a ser “parceiros fortes numa NATO forte”.
O governo alemão também rejeitou os pedidos norte-americanos para que a NATO se envolvesse diretamente na guerra com o Irão, insistindo que “não é uma guerra da NATO”, admitindo apenas um eventual papel limitado de navios alemães no estreito de Ormuz após o fim dos combates.
A administração Trump tem criticado o rumo político da Europa. Na Estratégia de Segurança Nacional publicada no final do ano passado, Washington alertou para um possível “apagamento civilizacional” europeu, atribuído à imigração, ao enfraquecimento das identidades nacionais e a políticas da União Europeia que, segundo os EUA, reduzem a soberania dos Estados-membros.
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