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As portas abriram às 16h30 e o primeiro dia do festival ficou marcado pelos looks descontraídos. Viram-se poucos visuais extravagantes ou produções pensadas ao detalhe, com muitos festivaleiros a entrarem no recinto com roupas normais do dia a dia, quase como se tivessem chegado diretamente do trabalho.

Anna von Hausswolff foi a segunda artista a pisar o Palco Sagres, com um concerto marcado para as 18h15. Apesar da hora, centenas de pessoas juntaram-se em frente ao palco para ver a atuação da cantora sueca que atuou pela primeira vez em Portugal há 10 anos. A também compositora iniciou o concerto com temas mais calmos e agradeceu os primeiros aplausos com um "obrigada" quase perfeito.

A energia foi crescendo, com os aplausos a subir de tom logo a partir da terceira música. Contudo, o entusiasmo do público não fez jus à qualidade da atuação, nem a energia do público se comparou à que havia em palco.

Os seis músicos saltaram e vibraram durante todo o concerto. No lado da plateia, as primeiras filas correspondiam, mas o restante público parecia ter caído de paraquedas naquele concerto.

“Obrigada. Foi um prazer tocar para vocês”. Anna von Hausswolff anunciou a última música e foi nesta altura que largas dezenas de pessoas começaram a sair da zona do palco Sagres para se dirigirem para junto do palco principal, onde, em breve, iria começar a atuação de Angine de Poitrine.

Aos primeiros acordes, houve pessoas a correr para chegarem rapidamente perto do palco. O grande entusiasmo do público fez-se sentir ainda durante a primeira música: viram-se braços no ar, pessoas aos saltos e telemóveis erguidos para registar o momento.

O início do concerto ficou também marcado pela típica saudação da banda: um triângulo feito com as duas mãos. O público retribuiu o gesto várias vezes durante a atuação do duo canadiano.

Os dois músicos são, claramente, uma banda de nicho. Lançaram o primeiro álbum em 2024 e apresentam-se em palco de forma peculiar: vestem-se com roupa às bolinhas brancas e pretas, os instrumentos estão pintados em pandã e usam chapéus excêntricos, também às bolinhas e com grandes narizes.

Alguns fãs seguiram-lhes o estilo, com algumas pessoas a usarem calças, casacos e lenços às bolinhas. No meio do público, sempre que uma música terminava e se ouviam aplausos, via-se uma bandeira do Canadá.

Sem cantar e apenas a tocar, os Angine de Poitrine trouxeram ritmo e energia ao MEO Kalorama e foram a surpresa do primeiro dia do festival. Grande parte do público, sobretudo os que estavam mais à frente, saltaram, aplaudiram, esticaram os braços bem no ar e vibraram ao som dos canadianos.

MARO deu música, mas falou voz ao público

O concerto de MARO, que ganhou popularidade, sobretudo, depois de vencer o Festival da Canção em 2022, era um dos mais aguardados do primeiro dia do MEO Kalorama. A cantora portuguesa abriu com “So much as changed” e não só deu música, como trouxe simpatia e muitos sorrisos ao Parque da Bela Vista.

No entanto, a jogar em casa, esperava-se outra reação do público que, numa noite bem fresca, não teve uma resposta além de “morna”. Ouviram-se aplausos, viram-se pessoas a balançarem a ritmo da música e lanternas dos telemóveis a iluminar o recinto, mas faltou a voz à plateia na maior parte das vezes em que a artista a convidou a cantar.

Apesar disto, a MARO conseguiu um ambiente intimista. Mostrou-se feliz e agradecida pela estreia no MEO Kalorama e cantou temas como “Can you see me?”, lançado em 2022, e “Kiss me”e “Love’s not to beg”, músicas do mais recente álbum, lançado este ano.

Robbie Williams fechou o primeiro dia e ficou com o protagonismo

A noite encerrou com Robbie Williams que, três anos depois de um concerto no Altice Arena, subiu ao palco do MEO Kalorama e deu o concerto da noite. O britânico conquistou o público desde o primeiro segundo, com “Let Me Entertain You”. E foi isso mesmo que o cantor fez: assumindo-se como um entertainer, entreteu a plateia do início ao fim.

Além de cantar, Robbie Williams falou, brincou, divertiu os fãs e conquistou as milhares de pessoas que estavam à sua frente.

Antes de cantar “I love my life”, perguntou ao público se já tinham assistido ao filme baseado na sua vida. Garantiu que este é o melhor filme alguma vez feito e arrancou gargalhadas ao público. A questão era o mote para dizer que tinha começado a viver realmente depois de conhecer a mulher e de ser pai. “Eles salvaram-me. Não salvaram a popstar, salvaram o Robert Peter Williams”.

Um dos momentos altos do concerto foi quando cantou “She’s the one” e a “tal” foi a aniversariante Isabel, do Porto, a quem Robbie Williams dedicou a canção.

Ainda com o primeiro look da noite, um conjunto totalmente vermelho, saiu do palco para ir até mais perto dos fãs. Mais tarde, desapareceu e voltou com um casaco e calças rosa e uma camisola preta e a interpretar “Theme From New York, New York”, de Frank Sinatra.

O público foi gritando “Robbie, Robbie” e, pelo meio, ouviu-se um “canta a Angels”. Mas o tão aguardado momento não viria já.

O cantor britânico tinha algo pessoal preparado. A música que se seguia era um cover, que ouviu pela primeira vez numa interpretação de alguém que considera um herói, o pai. “Tem orgulho em mim, diz que sou o melhor. Ele está certo”, disse e arrancou, uma vez mais, muitas gargalhadas à plateia. Seguiu-se “My Way”, que dedicou ao pai, enquanto nos ecrãs surgiam fotografias da família do cantor.

Robbie Williams saiu do palco e as luzes apagaram, levando muitos a pensar que o concerto teria terminado, mas o britânico voltou para interpretar mais um êxito: “Feel”.

Faltava cantar a música que todos queriam ouvir e Robbie Williams fez a vontade à plateia. A interpretação de “Angels” foi o momento alto da noite. O Parque da Bela Vista encheu-se de luzes das lanternas dos telemóveis e as milhares de pessoas presentes cantaram a uma só voz.

Aos 52 anos, Robbie Williams mostrou que não basta cantar. É preciso saber agarrar o público da primeira à última nota. Entre sucessos, histórias e piadas, o artista provou que um concerto não se faz apenas de música. Faz-se também de presença, espontaneidade e de entretenimento.

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