Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt

O anestesista francês Frédéric Péchier, de 53 anos, começou esta segunda-feira a ser julgado em Besançon, cidade do leste de França onde trabalhou durante quase uma década. Segundo o jornal britânico The Guardian, o médico é acusado de ter deliberadamente envenenado 30 pacientes, crianças e adultos, entre 2008 e 2017, provocando a morte de 12 deles.

Péchier terá manipulado a anestesia com substâncias que induziam paragens cardíacas, criando emergências durante operações. O objetivo, segundo o Ministério Público, seria mostrar as suas supostas capacidades excecionais de reanimação e, ao mesmo tempo, lançar suspeitas sobre colegas com quem mantinha conflitos.

Entre as vítimas encontra-se Teddy, um menino de apenas quatro anos que sobreviveu a duas paragens cardíacas durante uma intervenção simples para remoção das amígdalas, em 2016. No extremo oposto, a vítima mais idosa foi um homem de 89 anos, que não resistiu às complicações.

A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil

Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.

Assine a nova newsletter do 24notícias aqui

O caso que desencadeou a investigação remonta a 2008, quando um homem de 53 anos faleceu subitamente durante uma cirurgia renal. Uma autópsia revelou níveis letais de lidocaína, anestésico local utilizado de forma rotineira. A partir desse episódio, outros incidentes levantaram suspeitas, levando à abertura formal de um inquérito em 2017.

No total, foram analisados mais de 70 episódios de "eventos adversos graves" em contexto cirúrgico, embora apenas 30 tenham sido levados a tribunal.

Durante anos, Péchier foi descrito como um "anestesista estrela" nas clínicas Saint-Vincent e Franche-Comté, onde trabalhava. Era frequentemente o primeiro a intervir quando surgiam complicações, o que, à primeira vista, parecia uma demonstração de profissionalismo. No entanto, os procuradores acreditam que esse protagonismo se deveu ao facto de o próprio médico ter provocado as emergências.

A defesa, por seu lado, rejeita categoricamente todas as acusações. Péchier insiste na sua inocência e sustenta que muitas das mortes ou complicações se devem a erros médicos cometidos por outros profissionais.