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Os resultados foram apresentados no ENDO 2026, o congresso anual da Endocrine Society, e contribuem para um debate crescente sobre a necessidade de garantir que o emagrecimento ocorre de forma saudável, preservando não apenas a perda de gordura, mas também a força e a função muscular.

Num dos estudos, citado pela Época Negócios, investigadores analisaram dados de 753 adultos com obesidade que iniciaram tratamento com agonistas do recetor GLP-1, uma classe de medicamentos que inclui o semaglutido (Ozempic e Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro e Zepbound).

Recorrendo a informação recolhida por dispositivos de monitorização de atividade física, os investigadores verificaram que os participantes se tornaram menos ativos após o início da medicação.

O número médio de passos diários caiu de 5.047 para 4.487, enquanto o tempo dedicado a atividade física moderada ou vigorosa diminuiu de 28 para 22 minutos por dia. As reduções foram mais acentuadas entre homens e pessoas com dores articulares ou musculares.

Os resultados surpreenderam os investigadores, uma vez que contrariam a ideia de que perder peso facilita automaticamente a prática de exercício físico.

"Embora muitos assumam que o emagrecimento conduz naturalmente a níveis mais elevados de atividade física, os nossos dados mostram precisamente o contrário", afirmou Sajana Maharjan, médica do HSHS St. John's Hospital, nos Estados Unidos, e responsável pelo estudo.

Segundo a investigadora, os resultados reforçam a necessidade de integrar programas específicos de exercício nos tratamentos para a obesidade, de forma a preservar a massa muscular e a saúde global dos doentes.

O desafio de preservar os músculos

A preocupação com a perda de massa muscular tem vindo a ganhar relevância à medida que aumenta a utilização destes medicamentos. Embora os agonistas GLP-1 sejam altamente eficazes na redução da gordura corporal, parte do peso perdido corresponde também a massa magra.

Foi precisamente esse problema que um segundo estudo procurou abordar. Investigadores do laboratório Regeneron testaram uma estratégia experimental que combina o semaglutido com o trevogrumab, um anticorpo monoclonal concebido para bloquear a miostatina, uma proteína que limita o crescimento muscular. Em alguns participantes foi ainda adicionado o garetosmab, outro medicamento que atua sobre a proteína activina A.

Durante 26 semanas, os investigadores acompanharam a composição corporal dos participantes através de exames especializados capazes de distinguir gordura e músculo.

Os resultados preliminares indicam que o semaglutido administrado isoladamente esteve associado a maiores perdas de massa muscular. Já as combinações que incluíam trevogrumab permitiram preservar melhor a massa magra, mantendo simultaneamente uma redução significativa da gordura corporal.

Segundo Alexander Benchimol, endocrinologista envolvido no estudo, a combinação de semaglutido e trevogrumab reduziu em cerca de metade a perda de massa muscular normalmente associada ao tratamento com semaglutido.

A próxima geração dos tratamentos para a obesidade

Apesar dos resultados promissores, os investigadores alertam que tanto o trevogrumab como o garetosmab permanecem em fase de investigação e ainda não estão aprovados para utilização clínica nesta indicação.

Além disso, a combinação dos três medicamentos levantou algumas preocupações relacionadas com a tolerabilidade e a ocorrência de efeitos adversos, aspetos que terão de ser avaliados em estudos mais amplos.

Para os especialistas, estas investigações refletem uma mudança de paradigma no tratamento da obesidade. O objetivo já não passa apenas por perder peso, mas por garantir que a redução da gordura corporal ocorre sem comprometer a massa muscular, a mobilidade e a qualidade de vida dos doentes.

À medida que as chamadas "canetas para emagrecer" ganham popularidade em todo o mundo, a preservação da massa magra surge como um dos principais desafios da próxima geração de terapias para a obesidade. Os especialistas defendem que a combinação entre medicação, exercício físico e estratégias específicas de proteção muscular poderá ser determinante para alcançar resultados mais sustentáveis a longo prazo.

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