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A investigação, publicada em janeiro na revista científica BMC Public Health, baseou-se num inquérito a mais de 350 médicos de unidades de saúde de várias regiões do norte do país, incluindo Alto Minho, Trás-os-Montes, Douro, Tâmega e Sousa e Área Metropolitana do Porto.

O questionário avaliou perceções sobre responsabilidade, capacidade de identificação e procedimentos a adotar em casos de violência contra pessoas idosas. De acordo com o estudo, 94% dos médicos reconhecem que têm responsabilidade na deteção de maus-tratos. Ainda assim, cerca de dois terços não suspeitaram de qualquer caso no ano anterior.

Entre os que identificaram situações de possível violência (32%), menos de metade comunicou às autoridades e 16,9% optaram por não denunciar, muitas vezes a pedido das próprias vítimas ou dos cuidadores.

A investigação revela também lacunas no conhecimento dos procedimentos: apenas 36,5% dos médicos sabiam como reportar casos suspeitos. Apesar de cerca de 55% manifestarem confiança na identificação de sinais de abuso físico ou negligência, metade aponta a ambiguidade dos sintomas psicológicos como o principal obstáculo.

Entre os fatores que explicam a subdeteção estão o receio de interpretar mal sinais clínicos, o medo de ofender os doentes, de quebrar a confidencialidade ou até de agravar situações de violência. A falta de protocolos claros e o tempo limitado nas consultas são também apontados como entraves.

O estudo recomenda o reforço da formação, tanto ao nível pré como pós-graduado, maior colaboração com assistentes sociais, clarificação de critérios de diagnóstico e criação de protocolos que facilitem a notificação. A equipa sugere ainda a disponibilidade para desenvolver cursos específicos sobre o tema.

Os maus-tratos a pessoas idosas são associados a consequências graves para a saúde, incluindo maior risco de lesões, intoxicações e doenças físicas e mentais, sendo cada vez mais reconhecidos como um problema de saúde pública à escala global.

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