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De acordo com a Sábado, o Ministério Público de Almada está a investigar vários ajustes diretos aprovados por Henrique Gouveia e Melo enquanto foi comandante Naval da Marinha, entre 2017 a 2020.

O processo, identificado como 40/17, continua em fase de inquérito no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Almada, apesar de o Tribunal de Contas ter decidido, em 2024, relevar eventuais infrações financeiras.

A investigação foi atribuída à Polícia Judiciária Militar (PJM), que entregou ao MP, há cerca de quatro anos, um relatório pericial e um relatório final. De acordo com esses documentos, os investigadores identificaram uma concentração considerada excessiva de ajustes diretos na empresa Proskipper, entretanto dissolvida em outubro de 2022. No total, foram sinalizados 57 contratos suspeitos, todos aprovados por Gouveia e Melo, atualmente candidato à Presidência da República.

Um dos contratos analisados dizia respeito à aquisição de coletes de salvação insufláveis. Nesse procedimento, a PJM verificou que duas das empresas consultadas — a Proskipper e a ZMP-Service Center, Lda. — partilhavam o mesmo sócio-gerente, sendo que a primeira detinha ainda 50% do capital social da segunda. Uma terceira entidade consultada, a Smart Marine, Unipessoal, não teria habilitação técnica para comercializar este tipo de equipamento. Perante este cenário, a Proskipper acabou por ser a única empresa a apresentar proposta e a vencer o contrato.

A Sábado recorda ainda que, entre 2010 e 2018, a empresa Proskipper celebrou 137 contratos com o Estado, dos quais 124 foram assinados com a Marinha. No total, a empresa arrecadou 2,1 milhões de euros, valor que correspondeu a cerca de 80% da sua faturação com o setor público.

O que diz Gouveia e Melo?

Questionada pela Sábado sobre se Gouveia e Melo já teria sido ouvido no âmbito deste inquérito e em que qualidade, a Procuradoria-Geral da República optou por não prestar esclarecimentos. Por sua vez, a candidatura presidencial do almirante fez saber que este nunca foi ouvido nem notificado para prestar declarações no processo do DIAP de Almada.

Em declarações aos jornalistas esta manhã, Gouveia e Melo questiona como é que aparece este caso "a 15 dias das eleições", ou seja, "no fim do processo eleitoral, e garante que nunca teve "contacto com fornecedores".

"A minha integridade é a coisa mais importante para mim", frisou, garantindo que está disponível para prestar declarações. "Quem não deve, não teme. (...) Não tenho nada a esconder, não tenho nada que me envergonhe".

"Estou completamente a leste desse paraíso. Mas se quiserem tirar dúvidas, chamem-me", acrescentou, notando que está "completamente tranquilo".

"Insinuações à última da hora, sobre processos que nem sei quais são... chamem-me para prestar declarações e eu explico por que fiz o que fiz", rematou.

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