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Maria Lúcia Amaral voltou a explicar as razões que a levaram a demitir-se do cargo de ministra da Administração Interna, em fevereiro, cerca de oito meses depois de ter assumido funções. A antiga governante afirmou que deixou o Executivo por entender que já não reunia as condições políticas e pessoais necessárias para continuar no cargo.

Em entrevista ao podcast da RTP Antena 1, "Ponto de interrogação", conduzido por António José Teixeira e David Azevedo Lopes, Maria Lúcia Amaral recordou que, desde o início, tinha transmitido ao primeiro-ministro que abandonaria funções caso deixasse de sentir que tinha autoridade para concretizar as medidas que considerava necessárias.

"A partir do momento em que sentisse que não dispunha de autoridade para concretizar o que pensava dever ser concretizado eu não continuaria", afirmou.

A ex-ministra referiu-se aos incêndios do verão de 2025 e à depressão Kristin, que atingiu Portugal no início deste ano, como acontecimentos que ultrapassaram a sua capacidade de resposta.

"Foram dois acontecimentos que me escaparam, digamos assim, na dimensão total do termo, pela sua contingência, pela sua imprevisibilidade e pela sua dimensão", reconheceu.

Maria Lúcia Amaral distinguiu ainda duas dimensões da ação política: a capacidade de identificar problemas e encontrar soluções estruturais e a necessidade de responder rapidamente a situações imprevistas.

"Fazer política" é, segundo explicou, procurar respostas razoáveis para os problemas existentes, de acordo com uma visão sufragada pelos eleitores. Contudo, admitiu que reagir ao inesperado exige competências diferentes.

"Outra coisa é ter a capacidade para reagir imediatamente ao contingente, ao imprevisível, ao não pensável", afirmou.

A antiga ministra reconheceu também que não possuía todos os meios necessários para enfrentar crises desta natureza, referindo-se não apenas a recursos materiais, mas também a conhecimentos técnicos e experiência operacional.

"Tinha a noção de que não tinha meios, em toda a dimensão da palavra", disse, acrescentando que lhe faltava "o domínio do terreno, o conhecimento exato das pessoas, das corporações" e a capacidade de responder com a rapidez exigida pelas circunstâncias.

Segundo Maria Lúcia Amaral, a decisão de sair do Governo resultou da convicção de que a permanência seria mais prejudicial do que a substituição.

"A ponderação que eu fiz, e que foi aceite pelo senhor primeiro-ministro, é que era muito pior para o país e para o Governo continuar um ministro da Administração Interna, num contexto daqueles, sem autoridade nenhuma, do que não estar", defendeu.

Durante a entrevista, a ex-governante estabeleceu ainda uma distinção entre poder e autoridade.

"Poder é a capacidade que se tem para moldar os comportamentos dos outros e para se fazer obedecer. A autoridade é a capacidade natural para se fazer obedecer por adesão dos outros."

Apesar da saída antecipada do Executivo, Maria Lúcia Amaral garantiu não se arrepender de ter aceitado o convite para integrar o Governo.

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