No discurso, Sosa relembrou a trajetória da Venezuela como uma das primeiras democracias da América Latina e destacou o enfraquecimento das suas instituições ao longo do tempo. “A minha geração nasceu numa democracia vibrante e nós tomávamo-la como garantida”, disse, lembrando que a liberdade era tratada como algo permanente, mas que os deveres cívicos foram muitas vezes negligenciados.
O discurso também fez referência ao período de ascensão de Hugo Chávez, descrevendo-o como um líder que, apesar de carismático, substituiu o Estado de Direito pela vontade pessoal, e abordou como a oposição enfrentou desafios significativos nas eleições presidenciais recentes, incluindo a impossibilidade de Machado concorrer mesmo tendo vencido as primárias.
O discurso destacou ainda a contribuição histórica dos refugiados e migrantes, incluindo portugueses, para a construção da Venezuela, país do qual Machado própria é descendente. Além disso, prestou homenagem aos presos políticos, jornalistas silenciados, artistas e cidadãos anónimos que arriscaram as suas vidas em defesa da liberdade.
Machado sublinhou que o prémio representa mais do que um reconhecimento pessoal: é um alerta para o mundo sobre a importância da democracia para a paz. Concluiu com o desejo de que os milhões de venezuelanos que tiveram de deixar o país possam regressar e reforçou que o futuro pertence àqueles que continuam a lutar pelo país.
Comentários