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Marcelo Rebelo de Sousa discursou após o rei de Espanha, Felipe VI, nas comemorações dos 40 anos da adesão espanhola à então Comunidade Económica Europeia, sublinhando que a entrada simultânea de Portugal e Espanha, em 1986, representou uma rutura histórica após séculos de conflitos e instabilidade entre os dois países.
“Com os vizinhos, que eram nossos parentes, conquistámos independência, guerreámos para a mantermos, perdemo-la e recuperámo-la. Até ao século XVII foi um desassossego constante”, afirmou o chefe de Estado, recordando também as guerras continentais e o facto de, no século XIX, a independência portuguesa ter de ser garantida com a capital do Império no Brasil.
Segundo Marcelo, “o que há de verdadeiramente diferente e notável” foi a integração europeia do século XX, que culminou na adesão conjunta dos dois países, com um “papel cimeiro” de Mário Soares e de Felipe González. “Veio mudar a História. Mudar a História europeia. Mudar a História nas relações com o vizinho único por terra”, afirmou.
Antes, Felipe VI tinha sido o primeiro a discursar perante os eurodeputados, dizendo sentir-se honrado por assinalar a efeméride ao lado do “querido e admirado Presidente Marcelo Rebelo de Sousa”, referindo-se a Portugal como “nossa nação irmã”. Num momento simbólico, o rei dirigiu-se em português a Marcelo e aos portugueses: “Juntos, demos mais um passo histórico na nossa longa história comum.”
O monarca destacou que, ao longo dos 40 anos de adesão europeia, Espanha “mudou e cresceu”, mas também “contribuiu para a mudança e o crescimento da Europa”, apontando a consolidação democrática, o crescimento económico, a duplicação do PIB per capita e a liderança nas energias renováveis. Sublinhou ainda o contributo conjunto de Portugal e Espanha para a valorização da relação estratégica da União Europeia com a América Latina e as Caraíbas
Marcelo Rebelo de Sousa retribuiu a cortesia, começando por falar em espanhol para expressar solidariedade pelas vítimas de um recente acidente ferroviário em Espanha, e aproveitou depois a evocação da história comum para lançar um recado contra nacionalismos e extremismos. Recordando as origens diversas do primeiro rei de Portugal, afirmou: “Não há portugueses puros, há portugueses diversos, na sua riqueza cultural.”
No seu discurso, o Presidente da República alertou ainda para aquilo que classificou como uma tendência atual para desvalorizar o projeto europeu. “É, hoje, moda do momento esquecer, minimizar, diminuir a Europa e o seu papel no mundo”, afirmou, defendendo que a União Europeia assegura mais liberdade, democracia e Estado de direito, além de ser um dos maiores mercados do mundo e um destino desejado por cidadãos de todos os continentes.
Ainda assim, advertiu que “tudo isto não basta” e que a Europa “perdeu tempo”. Marcelo defendeu a necessidade de “mais juventude, mais conhecimento, mais ciência, mais tecnologia, mais segurança comum, mais crescimento, mais capacidade de mudança dos sistemas políticos, económicos e sociais, mais unidade, mais futuro”. “Reconstruamos a Europa. Sem medos. Sem inibições. Sem complexos”, apelou.
Numa reflexão sobre o papel internacional de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa abordou também as alianças estratégicas do país. Para além da União Europeia, destacou a ligação histórica ao Reino Unido, com mais de 650 anos, afirmando que preferia que estivesse “ainda mais com a União Europeia do muito que está”.
Referindo-se aos Estados Unidos, recordou que Portugal foi um dos primeiros Estados europeus a reconhecer a independência norte-americana, deixando um aviso claro numa alusão às posições de Donald Trump. “Preferiríamos que fôssemos sempre aliados a cem por cento e não com hiatos, intermitências ou estados de alma”, afirmou, defendendo alianças estáveis num contexto internacional marcado pela incerteza.
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